quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

O Eclipse Anular do Sol em 26 de fevereiro 2017!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Em 26 de fevereiro ocorrerá o segundo eclipse de 2017 (a primeira ocorrência e o Eclipse Penumbral da Lua em 11/02/2017), sendo nesta oportunidade o eclipse será anular, será visível integralmente em grande parte da região sul dos oceanos pacífico e Atlântico; Já a faixa de totalidade recai sobre a superfície da região austral da América do Sul (Argentina e Chile) e região meridional do continente africano (Angola, sul da República Democrática do Congo e o extremo norte de Zâmbia) de acordo com a figura 1. 

Nas demais regiões (ao norte e ao sul) da África e isso incluindo regiões da África do Sul, Benin, Burkina Faso, Costa do Marfim, Gabão, Gana, Quênia, Mauritânia, Moçambique, Níger, Nigéria, Ruanda, São Tomé e Príncipe, Tanzânia, Togo, Uganda e Zimbabué de acordo com a tabela 1.

De igual forma isso também ocorrerá no continente sul americano; isso inclui partes da Argentina e do Chile, Bolívia, Brasil, Paraguai, Peru e Uruguai, onde o eclipse será visível de forma parcial de acordo com as tabela 2 abaixo.

O cone de sombra e a duração do Eclipse

O cone de sombra recairá na região Austral da América do Sul como: Puerto Chacabuco e Coyhaique Alto na região da província de Aisén (Patagônia chilena); Facundo e Bahia Camaronês no Chubut (província da Patagônia argentina); e parte da região meridional da África (Huambo em Angola) e Likasi na província de Katanga (República Democrática do Congo). Observadores localizados nestas regiões acompanharão esse evento em sua totalidade.

A sombra inicia-se ao sul do oceano Pacífico em algum ponto sobre as coordenadas de latitude: 43.2765°S e longitude: 112.8806W. O instante máximo do eclipse ocorre sobre o Atlântico sul em algum ponto sobre as coordenadas de latitude: 34.6797°S e longitude: 31.1909° W, quando então a duração da anularidade está estimada em 0.44s. O eclipse se encerra sobre o continente africano em algum ponto sobre as coordenadas de latitude: -10.9629°S e longitude: 26.8646E°, região sul da República Democrática do Congo, conforme figura 2.

Certamente esses observadores novamente darão razão ao astrônomo norte-americano, o conhecido “caçador de eclipses” Jay Myron Pasachoff quando compara a diferença entre observar um eclipse solar parcial e um total; à sensação é de assistirmos uma ópera ou ficar do lado de fora do teatro; não devemos pensar que Pasachoff está exagerando, entretanto o registro científico de qualquer evento astronômico, quando compartilhado é extremamente gratificante, visto que além de observador, passamos também a condição de participantes do fenômeno.

Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2017. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2016. 135p. Disponível em: < https://drive.google.com/file/d/0B92tNur3vviSSGoyYW9lNlg5SFU/view?usp=sharing> Acesso em 02 Dez. 2016.

- HERALD, Dave. Occult4 v4.1.0.27 (24 March. 2014) Uptade v4.2.0 available in: <http://www.lunar-occultations.com/occult4/occultupdate.zip> Acess in 28 Abr. 2016.

- ____________. Sky and Observers, O Eclipse Anular do Sol em 01 de setembro 2016: Disponível em: < http://goo.gl/uBFYSg> Acesso em:  08 Jan. 2017.

- ESPENAK, Fred. NASA's GSFC" - Eclipse Web Site - Available in <http://eclipse.gsfc.nasa.gov/SEdecade/SEdecade2011.html> - acess on: 08 Jan 2017.

Eclipse Penumbral de 10-11 de fevereiro de 2017.

Helio de Carvalho Vital
hcvital@gmail.com
Seção de Eclipses da REA

Na noite de 10 para 11 de Fevereiro, a Lua, já bem alta nos céus brasileiros, cruzará a região mais externa da sombra da Terra, conhecida como penumbra. Um observador que estivesse dentro da penumbra veria a Terra encobrir parcialmente o disco do Sol. Durante este eclipse lunar penumbral, em nenhum momento a penumbra envolverá toda a Lua. Dessa forma, mesmo no instante de maior eclipse, 1% do diâmetro lunar continuará recebendo integralmente a luz solar. Além disso, se nos deslocássemos na direção do eixo da sombra da Terra até ultrapassar a borda da Lua em 3% do diâmetro do disco, chegaríamos à fronteira da região mais interna da sombra, a umbra, de dentro da qual, veríamos nosso planeta eclipsando totalmente o Sol.

Na prática, observadores muito experientes perceberão um leve obscurecimento da borda norte do disco da Lua somente cerca de uma hora após o horário previsto para o início do eclipse penumbral, enquanto os menos experientes conseguirão fazê-lo cerca de 20 minutos depois. Todo esse tempo para que comecemos a discernir a penumbra se deve ao fato de que o escurecimento produzido pelas regiões mais externas da sombra terrestre é tão sutil que não pode ser notado a olho nu. Em virtude disso, somente depois que a borda da penumbra ultrapassa o centro do disco lunar é que uma sutil redução no brilho da borda lunar mais interna à sombra torna-se perceptível. No eclipse em questão, como o disco lunar passará ao Sul do eixo da sombra, então um escurecimento do hemisfério norte da Lua poderá ser percebido com maior facilidade próximo ao instante de eclipse máximo: 00:44 de 11 de Fevereiro.

É interessante ressaltar que ainda existe um significativo grau de imprevisibilidade associado aos eclipses lunares, ao contrário do que ocorre com os solares. Isso se deve ao fato de que nossa atmosfera, a qual é responsável pela formação de uma pequena, embora significativa, fração da sombra da Terra, apresenta consideráveis flutuações em suas propriedades, que por sua vez, podem impactar de forma imprevisível as dimensões da sombra que nosso planeta projeta no espaço. Em razão disso, os modelos de cálculo utilizados na previsão desses fenômenos têm se aprimorado com o passar dos anos, inclusive buscando levar em conta os dados coletados na observação de eclipses lunares mais recentes. Um exemplo disso são as previsões oficiais da NASA referentes a esse eclipse. As primeiras, publicadas em 1989 no Fifty Year Canon of Lunar Eclipses: 1986-2035, informam uma magnitude penumbral (fração do diâmetro lunar eclipsado pela penumbra) de 1,0141 para este eclipse, o que corresponderia a um eclipse penumbral total. No entanto, o mesmo autor, indiscutivelmente a maior autoridade global em eclipses lunissolares, atualmente exibe em seu portal EclipseWise a figura que descreve a configuração do eclipse, citando para a magnitude, o valor aperfeiçoado de 0,9884, o que equivale a uma redução de 0,0257 ou 2,6% do diâmetro da Lua ou ainda 0,81 minuto de arco entre suas duas previsões. Uma possível motivação para tal redução talvez encontre fundamentos num interessante episódio que analisamos em nosso portal, Eclipse Lunar Quase Total de 4 de Abril de 2015.

Por outro lado, qual seria a confiabilidade do último dígito dessa previsão mais recente, considerando que a magnitude já foi alterada por um valor 257/1 vezes maior? Ou ainda, por que é informado o dígito correspondente aos décimos de milésimo, induzindo o leitor a acreditar que tal nível de precisão nas previsões realmente existe? Então, atentando para a definição de algarismos significativos, aos colegas interessados em nossa previsão para a magnitude penumbral deste eclipse, informaríamos simplesmente: 0,990,  valor que tem 2/3 de chance de estar entre 0,989 e 0,991.

Durante a observação deste eclipse, recomendamos preferencialmente a utilização da vista desarmada, de binóculos e de câmeras fotográficas com alto zoom. Tente registrar o avanço do obscurecimento do disco da Lua por vídeos e fotos e busque obter curvas de luz da Lua, utilizando fotômetros de câmeras; observando-a através de binóculos invertidos e comparando o brilho observado com o de estrelas próximas; ou ainda, empregando outro sistema fotométrico simples. Anote também os horários do início e fim da percepção da penumbra. Isso permitirá aferir a fração da penumbra que lhe tiver escapado à visão. Não se esqueça de testar seus instrumentos e procedimentos observacionais nas noites que antecederão o evento. Use a tabela a seguir como guia. Ela exibe nossas previsões para observadores com diferentes sensibilidades. 

Por favor, envie-nos seus registros e imagens para análise. 

Boas observações!

Instantes de Início e Fim da percepção da penumbra p

A ocultação de Aldebaran pela Lua em 05 de fevereiro 2017!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Em 05 de fevereiro próximo, a Lua +69% iluminada e uma elongação solar de 112°, ocultará a estrela Aldebaran (Alpha Tauri) de magnitude 0.9 (Figura 1), classe e tipo espectral K5+III. Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios; esse evento poderá ser observado numa grande extensão da superfície terrestre.

Observadores localizados no Continente africano (Argélia, Etiópia, Egito, Líbia, Marrocos, Marrocos, Mauritânia, e Tunísia); na América Central (Aruba, Barbados, Belize, Costa Rica, Cuba, Ilhas Cayman, Republica Dominicana, El Salvador, Guadalupe, Guatemala, Honduras, Jamaica, Nicarágua, Panamá, Porto Rico, São Cristóvão e Nevis e Trinidad e Tobago) região ístmica e insular (Mar das Antilhas); na Ásia (Arábia Saudita, Chipre, Irã, Iraque, Jordânia, Kuwait, Líbano e Iêmen); na Europa (Albânia, Andorra, Áustria, Bósnia e Herzegovina, Bulgária, Republica Checa, Croácia, Eslovênia, Espanha, França, Grécia, Itália, Liechtenstein, Malta, Portugal, Romênia, Sérvia, Suíça e Turquia); na América do Norte (Bermudas, Estados Unidos e México) e norte da América do Sul (Brasil, Colômbia, Equador, Suriname e Venezuela), poderão acompanhar esse evento, conforme e apresentado nas tabelas abaixo enumeradas de 1 a 6 respectivamente.

Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e reaparecimento acima mencionadas, abaixo apresentamos o mapa global (figura 2) com a faixa de visibilidade do fenômeno que abrange as regiões localizadas nos oceanos Atlântico e Pacífico. 

Albebaran 

Alpha Tauri (tipo espectral K5+III) a conhecida estrela Albebaran (figura. 3), cujo nome tradicional de origem árabe significa aquela que segue as Plêiades e uma estrela com diâmetro 36 vezes superior ao do Sol e temperatura superficial de cerca de 3.000ºK. Está situada à distância de 64 anos-luz (MOURÃO, 1987). O Atual ciclo das ocultações lunares de Aldebaran começaram a ocorrer em 29 de janeiro de 2015, perdurando até a ocultação de 03 de setembro de 2018. Um novo ciclo somente terá reinício em 2033 até o ano de 2037.


Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
(ocultações de estrelas por asteroides).

No Facebook:

“Ocultações Astronômicas”.

Este grupo destina-se à divulgação e discussão de eventos astronômicos na área de 'Ocultações'. Ocultações de estrelas e planetas pela Lua, ocultações de estrelas por asteroides e as técnicas empregadas para o registro destes eventos.

Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2017. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2016. 135p. Disponível em: < https://drive.google.com/file/d/0B92tNur3vviSSGoyYW9lNlg5SFU/view?usp=sharing> Acesso em 02 Dez. 2016.

- WALKER, John. Your Sky - Fourmilab Switzerland, 2003. Disponível em <http://www.fourmilab.ch/yoursky/catalogues/starname.html> - Acesso em 05 ago. 2014.

- HERALD, Dave. Occult4 v4.1.0.27 (24 March. 2014) Uptade v4.2.0 available in: <http://www.lunar-occultations.com/occult4/occultupdate.zip> Acess in 28 Abr. 2016.

A ocultação de sigma Leo pela Lua em 12 de fevereiro 2017!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Em 12 de fevereiro próximo, a Lua -96% iluminada e uma elongação solar de 156° ocultará a estrela sigma Leonis de magnitude 4.1 e tipo espectral B9.5V (Figura 1). Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios; esse evento poderá ser observado em boa parte da superfície terrestre.

Desta forma, os observadores localizados no continente africano Angola, África do Sul, Benin, Burkina Faso, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gabão, Gana, Madagascar, Maurício, Moçambique, Níger, Nigéria, Reunião (Ilha), Ruanda, Senegal, São Tomé e Príncipe, Tanzânia, Togo, Uganda, Zâmbia e Zimbabué), poderão acompanhar os eventos de Desaparecimento e Reaparecimento desta estrela, conforme apresentado na tabela 1. 

Já na região nordeste da América do Sul (Brasil), somente poderá observar a fase de reaparecimento deste evento, conforme apresentado na tabela 2.

Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e reaparecimento acima mencionadas, abaixo apresentamos o mapa global (figura 2) com a faixa de visibilidade do fenômeno que abrange as respectivas regiões, ilhas e reservas naturais localizadas ao sul e ao norte do oceano Atlântico e sul do oceano Índico. 

Sigma Leonis
A designação de Bayer para sigma Leonis e ainda 77 Leo para o número de Flamsteed (figura. 3) indica tratar-se de uma estrela comum de Velocidade Radial: -5.3 [km/s]. São também designações para essa estrela: HR 4386, BD +06 2437, HD 98664, SAO 118804, FK5 427, HIP 55434 e ZC 1644. 

Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
(ocultações de estrelas por asteroides).

No Facebook:

“Ocultações Astronômicas”.

Este grupo destina-se à divulgação e discussão de eventos astronômicos na área de 'Ocultações'. Ocultações de estrelas e planetas pela Lua, ocultações de estrelas por asteroides e as técnicas empregadas para o registro destes eventos.

Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2017. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2016. 135p. Disponível em: < https://drive.google.com/file/d/0B92tNur3vviSSGoyYW9lNlg5SFU/view?usp=sharing> Acesso em 02 Dez. 2016.

- HERALD, Dave. Occult4 v4.1.0.27 (24 March. 2014) Uptade v4.2.0 available in: <http://www.lunar-occultations.com/occult4/occultupdate.zip> Acess in 28 Abr. 2016.

O asteroide (88) Thisbe em 2017!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Em 24 de março próximo, o asteroide Thisbe estará com seu posicionamento favorável às observações (fase da Lua = -0.194), quando então sua magnitude chegará a 10.9, portanto dentro dos limites de magnitudes observáveis de instrumentos óticos de médio e pequeno porte. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste ilustrativa que auxiliará na identificação de algumas estrelas de referência a qual neste caso, serão somente mencionadas suas respectivas magnitudes que objetiva sua localização nos próximos dias.


Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, 88 Thisbe foi descoberto em 15 de junho de 1866 pelo astrônomo alemão Christian August Friedrich Peters (1806 - 1880) no Observatório de Clinton. Seu nome é uma homenagem a Tisbe, jovem moça da Babilônia, que foi apaixonada por Píramo. Ela cometeu suicídio em desespero, quando soube que o amante havia falecido (Mourão, 1987).

Notas:
1 = Nota: (au)* Conforme a Resolução da IAU 2012 B2, acolhendo proposta do grupo de trabalho “Numerical Standards for Fundamental Astronomy”, redefiniu-se a unidade astronômica de comprimento correspondendo à distância media da Terra ao Sol equivalendo assim a 149.597.870.700 metros, devendo ser representada unicamente por au (“astronomical unit”) OAM (2015).

2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2017. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2016. 135p. Disponível em: < https://drive.google.com/file/d/0B92tNur3vviSSGoyYW9lNlg5SFU/view?usp=sharing> Acesso em 02 Dez. 2016.

- CHEVALLEY, Patrick. SkyChart / Cartes du Ciel - Version 3.8, March. 2013. Disponível em:   <http://ap-i.net/skychart/start?id=en/start>. - Acesso em: 26 Nov. 2015.


Grupo de Reconhecimento e Estudos do Céu: o que estamos aprendendo? Dezembro 2016

Aléxia Lage de Faria
alagef@gmail.com
CEAMIG/GREC

“Toda ciência tem por base um sistema de princípios tão fixos e inalteráveis quanto aqueles pelos quais o universo é regulado e governado. O homem não pode fazer princípios. Ele só pode descobri-los.”
Thomas Paine em “In The Age of Reason”

O Grupo de Reconhecimento e Estudos do Céu possui como missão criar e manter a cultura da observação e reconhecimento da esfera celeste entre os associados recém-ingressos nos quadros do CEAMIG – Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais (CAMPOS, 2014). Os membros se reúnem aos sábados para estudo teórico e/ou prático e mensalmente realizam observações, quando as condições do tempo assim permitem. 

Em novembro, foram concluídos os estudos da turma “Andrômeda”, que vigorou durante o biênio 2015-2016. Porém, faltava ainda concluir o Programa Observacional de Nebulosidade – PON, que até então estava em vigor para que fosse possível coletar as estimativas para a estação da Primavera. Oficialmente encerrado em 20 de dezembro, os resultados finais do PON serão então apresentados em um informe sazonal, referente ao período de vigência da estação da Primavera (22/09/2016 a 20/12/2106). Assim, poderemos ter uma visão da nebulosidade ocorrida durante essa temporada e compará-la também com a registrada nas estações do Verão, Outono e Inverno.


Figura 1 - Sintaxe de Reporte para as estimativas de nebulosidade coletadas.
Fonte: CEAMIG, 2015-2016.

Na Figura 2, é apresentado o reporte de nebulosidade referente ao período de 22/09/2016 a 20/12/2016.

Figura 2 - Reporte de Nebulosidade referente ao período de 22/09/2016 a 20/12/2016. (Primavera).
Fonte: CEAMIG, 2015-2016.

O resultado do Índice Médio Sazonal Individual (IMSI) da estação da Primavera, para cada observador, pode ser visto na Figura 3:

Figura 3 - Índice Médio Sazonal Individual para a estação da Primavera.
Fonte: CEAMIG, 2015-2016.

A seguir, são mostrados os resultados comparativos do Índice Médio Sazonal Final (IMSF) para o Verão, Outono, Inverno e Primavera (Figura 4). Esse resultado era esperado, pois tipicamente o período da Primavera é caracterizado como de maior nebulosidade quando comparado à estação do Inverno.

Figura 4 -  Índice Médio Sazonal Final para as estações do Verão, Outono, Inverno e Primavera.
Fonte: CEAMIG, 2015-2016.

Por fim, foram gastas 2,4h na coleta de estimativas para a estação da Primavera (Figura 5).

 
Figura 5 -  Produtividade Observacional as estações do Verão, Outono, Inverno e Primavera em 2016.
Fonte: CEAMIG, 2015-2016.

Com todos as estimativas registradas e apresentadas para todas as estações, o Programa Observacional de Nebulosidade referente ao biênio 2015-2016 foi concluído.

REFERÊNCIAS
CAMPOS, Antônio Rosa. (arcampos_0911@yahoo.com.br). [Ceamig] Grupo de Estudos de Reconhecimento do Céu! [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por ceamig@yahoogrupos.com.br em 24 nov. 2014.

CEAMIG – CENTRO DE ESTUDOS ASTRONÔMICOS DE MINAS GERAIS. Base de Dados do Programa Observacional de Nebulosidade 2015-2016. Dados referentes ao período de janeiro a dezembro de 2016, coletados pelo Grupo de Reconhecimento e Estudos do Céu - GREC. Belo Horizonte: CEAMIG, 2015-2016.

Ano que foi, ano que vem. Assim caminha a humanidade

Nelson Alberto Soares Travnik (*)
nelson-travnik@hotmail.com
Observatório Astronômico de Piracicaba Elias Salum

Iniciamos neste 1º de janeiro mais uma jornada ao redor do Sol. Nosso planeta irá percorrer nesses 365 dias, 942,4 milhões de quilômetros, algo que em linha reta nos levaria além do planeta Júpiter. Isso permite algumas reflexões sobre vida, tempo e espaço.

No mundo atual, como estranhos em seu próprio habitat, multidões não se interessam em saber afinal o que são, onde estão, para onde vão e seu destino final. A maioria vive porque respiram e se contentam com o preconizado pelas religiões. É mais cômodo viver assim. Infelizmente não se dão conta que estão entorpecidos pelo sistema que as transforma em máquinas de consumismo como símbolo da felicidade. Um sistema inserido na sociedade que as utiliza e descarta como objetos. Seu dia-a-dia é preenchido por infindáveis conquistas tecnológicas que, todavia a prende a um emaranhado de dúvidas sobre sua própria existência. O ser humano vive a Era Espacial de grandes realizações científicas, mas ainda não aprendeu a encontrar a grandeza de sua pequenez e da sua estupidez.

Continuamos a ser um enigma, uma gota num oceano de incertezas que por um instante aparece e dissipa como bolhas de sabão que as crianças fazem flutuar no ar. Poucos são cônscios de que a sabedoria do ser humano não está no quanto ele sabe, mas no quanto ele tem consciência de que não sabe. É preciso portanto, ter humildade para compreender o mundo insondável da psique humana; que somos ínfima partícula na vastidão cósmica e que o universo estará ignorando quando o Sol, nosso habitat e os demais planetas um dia desaparecer sem testemunha do último gemido. No universo, nascimento e morte estão sempre de mãos dadas. Tudo que é belo um dia morre. Não sentimos o perfume das flores que já morreram.

Somos todos viajantes em uma jornada cósmica, dentro de uma cápsula do tempo, girando e dançando nos torvelinhos e redemoinhos de um universo infinito. O céu nos envolve por todos os lados e a luz de miríades de estrelas que contemplamos, é um monumental concerto cósmico que aconteceu há dezenas, milhares ou milhões de anos. A observação do céu é por conseguinte, uma experiência de transformação e ampliação da consciência, uma grande elevação espiritual que proporciona uma imensa satisfação íntima e nos ensina que na história da Criação, cem milhões de anos passam como um dia; apagam-se e dissipam-se como fugitivo sonho no seio da eternidade que todo absorve.

Nesse raciocínio e contemplação retrospectiva, surge uma inevitável questão de cunho filosófico: qual é o destino final de todos os seres inteligentes que existiram, existem e vão existir em infinitos mundos? Somos simplesmente feitos do pó das estrelas e a elas retornaremos? Somente isso? Nada sobrevive além disso? Tema de uma milenar discussão, não cabe nesse artigo enveredar por essa questão pois, somos engrenagens microscópicas de um mecanismo desconhecido.

(*) Nelson Alberto Soares Travnik é astrônomo e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.