segunda-feira, 1 de junho de 2015

O céu do mês – Junho 2015

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Bem vindo a bordo companheiros(as),

Admiração! Na maioria das vezes ficamos buscando uma ou outra palavra para que, e da melhor forma poder expressar sobre os eventos celestes, mas muitas das vezes acabo me perdendo na contemplação fascinante da dinâmica celeste que envolve estes fenômenos. E como é bom poder compartilhar essas impressões com todos vocês, que de alguma forma já utilizam as informações aqui postadas em seus respectivos planejamentos mensais no que se referem às jornadas observacionais. Dessa forma e pelo constante entusiasmo, aliado a vontade de estarem sempre colaborando com ideias e ações proativas, a chegada sempre de novos (as) companheiros que frequentam essas páginas e motivo de júbilo e vocês são sempre bem vindos (as) a bordo deste espaço virtual que chamamos Sky and Observers, até mesmo por que na próxima sexta-feira, ele estará completando 5 anos de existência. 

É o céu este mês está bastante promissor devido a uma grande quantidade de eventos ocorrendo na esfera celeste (e também em regiões remotas do sistema solar) que chamam nossa atenção, senão vejamos: Após ter passado por sua oposição, Saturno continuará prendendo nossa atenção como aconteceu com o astrônomo Hélio de Carvalho Vital, observando e registrando esse planeta da cidade do Rio de Janeiro-RJ em 22 de maio último. Júpiter com os eventos mútuos dos satélites galileanos, certeiramente será foco de nossas atenções e não sem menos, em 20 de junho está alinhado no poente juntamente com Vênus e a Lua. Das regiões remotas do Sistema Solar, a Missão New Horizons, aproxima-se do Planeta Menor (134340) Plutão, proporcionando imagens até agora surpreendentes, sendo essa situação idêntica da Missão Dawn agora bem próxima do Planeta Menor (1) Ceres. Não deixem de observar e registrar também os cometas C/2013 US 10 Catalina, C/2015 G2 MASTER e a boa quantidade de asteroides que elegeram uma determinada região do céu para suas oposições. Dessa forma sugiro também que utilizando um simples binóculos façam observação junto as brilhantes estrelas da Coroa Boreal. Certamente vocês ficarão fascinados. Noites estreladas para todos! 


Ocultações de estrelas pela Lua 

Zubenelhakrabi (Gamma Librae)
Em 01 de junho a Lua -98 iluminada e com a elongação solar de 164°, ocultará a estrela Zubenelhakrabi (Gamma Librae) de magnitude 3.9 e tipo espectral G8.5III. Esse evento poderá ser observado no extremo sul da América (Argentina e Chile), bem como ainda regiões sudeste da Oceania (Austrália e Nova Zelândia)  conforme demonstra a figura A, apresentada no quadro 1 e instantes de circunstâncias apresentados na tabela 2 abaixo.

Rho Sagittarii

Em 05 de junho a Lua -91% iluminada e com a elongação solar de 145°, ocultará a estrela Rho Sagittarii de magnitude 3.9 e tipo espectral K1III. Esse evento poderá ser observado na região norte do oceano pacífico e no continente norte americano de acordo com a figura B, apresentada no quadro 1. 

Dabih Major (beta Capricorni)

Em 06 de junho a Lua -83% iluminada e com a elongação solar de 131°, ocultará a estrela Dabih Major de magnitude 3.1 e tipo espectral F8V+A0. Esse evento poderá ser observado de forma diurna na América Central e América do Sul, durante o crepúsculo vespertino no pacífico sul, e na Oceania em período noturno de acordo com a figura C, apresentada no quadro 1. 

Ancha (Theta Aquarii)

Em 08 de junho a Lua -62% iluminada e com a elongação solar de 104°, ocultará a estrela Ancha (Theta Aquarii) de magnitude 4.2 e tipo espectral G8. Esse evento poderá ser observado de forma diurna no extremo norte da américa do Sul, América Central e do Norte; já no período noturno este evento poderá ser acompanhando em boa parte da Polinésia Francesa e demais regiões adjacentes do Oceano Pacífico de acordo com a figura D, apresentada no quadro 1. 

Hyadum II (delta 1 Tauri)

Em 15 de junho a Lua -2% % iluminada e com a elongação solar de 17º, ocultará a estrela Hyadum II (delta 1 Tauri) de magnitude 3.8 e tipo espectral K0-IIICN0.5. Esse evento poderá ser observado de forma diurna em toda a região do sudeste da Ásia (incluindo o sul da Índia e o Sri Lanka), norte da Oceania e a região austral da África, conforme com a figura E, apresentada no quadro 1.

Aldebaran (alpha Tauri)

Em 15 de junho ainda, a Lua, neste instante com -2% iluminada e com a elongação solar de 15°, ocultará a brilhante estrela Aldebaran (Alpha Tauri) de magnitude 0.9 e tipo espectral K5+III. Esse evento diurno em toda sua ocorrência poderá ser observado de nas regiões polares do norte da Ásia (Rússia) e da América do Norte (Canadá e Estados Unidos – Região do Alasca) e também no extremo norte da Europa de acordo com a figura F, apresentada no quadro 1.

Lambda Geminorum

Em 18 de junho a Lua +4% iluminada e com a elongação solar de 23°, ocultará a estrela lambda Geminorum de magnitude 3.6 e tipo espectral A3V. Esse evento poderá ser observado de forma diurna em grande parte da Ásia, Europa e região do ártico na América do norte, sendo que sua ocorrência no período noturno ocorre no Japão, conforme demonstra a figura G, apresentada no quadro 1.

(Subra) Omicron Leonis

Em 21 de junho a Lua +21% iluminada e com uma elongação de 55°, ocultará a estrela omicron Leonis (Subra) de magnitude 3.5 e tipo espectral A5V F6II. Esse evento poderá ser observado de forma noturna no centro oeste da Ásia; já na região do pacifico norte, pode-se acompanhar este evento nas Ilhas Hawaii de acordo com a figura H, apresentada no quadro 1.

Zubenelhakrabi (Gamma Librae)
Novamente em 28 de junho, a Lua +87% iluminada e com a elongação solar de 138º, ocultará a estrela Zubenelhakrabi (Gamma Librae) de magnitude 3.9 e tipo espectral G8.5III. Nesta oportunidade esse evento poderá ser observado na região do extremo oeste da Oceania (Austrália), sul do oceano índico e região sul da África (África  do Sul e Namíbia) conforme demonstra a figura I, apresentada no quadro 1.

No Sistema Solar!

O diminuto Mercúrio (1.3), já em 02 de junho encontrar-se-á em seu afélio e visível dentro deste período como um astro matutino; sua máxima elongação ocorrerá em 24 de junho, fará com ele se encontre 22,5º W (Oeste) e sua nova fase de dicotomia encontra-se prevista para 30 de junho também. Entretanto esse prolífico período, trará para esses primeiros dias duas boas ocorrências do brilhante Vênus (-4.4); o planeta estará em sua máxima elongação no sábado (06 de junho), quando se encontra previsto também a ocorrência de sua meia fase (dicotomia), então seu posicionamento vespertino ficou completamente favorável a mais uma temporada de oportunas observações. Marte (1.5) passa por sua conjunção com o sol em 14 de junho e talvez a boa notícia neste período em relação a esse planeta, seja a que em 18 de junho próximo, estará iniciando o início da primavera no hemisfério norte marciano; enquanto isso o brilhante Júpiter (-1.9), ainda chamando a atenção após o ocaso do sol e na primeira parte da noite, fará mais um belo alinhamento com o brilhante Vênus (-4.4) e também com a Lua em 20 de junho (figura 2).

Uma especial atenção pode ser voltada aos eclipses parciais e demais eventos que envolverão os satélites galileanos Io, Europa e Ganimedes neste mês.  Chamo a atenção dessa forma para eventos que ocorrerão nos dias 04, 11 16 18 e 23 de junho quando estes satélites estarão sendo responsáveis por eclipses mútuos entre si. Novamente a tabela 3 abaixo, extraída do Almanaque Astronômico Brasileiro (disponível para download em: http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2015.pdf) do CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), apresenta o diagrama saca rolhas e uma efeméride para esse mês com os principais eventos dos satélites galileanos. 

Passada a oposição de Saturno (0.2) ele encontra-se em posição cada vez mais favorável as observações telescópicas e deverá ser um bom objeto celeste a ser vislumbrando este ano; uma das principais atividades que vem sendo realizada em Star Parties nessa época, e também em observatórios que se destinam a abertura de seus instrumentos a observação pública e justamente à possibilidade de identificação de seus principais satélites naturais. É extremamente gratificante observar o efeito Uau! pelo público que o observa pela primeira vez, pois que realmente ele tem essa capacidade. Facilmente localizado na constelação de Libra conforme apresenta a tabela 4 abaixo, ele será assim como os demais planetas, o top observacional nas atividades públicas.


Muito lentamente Urano (5.9) vem aumentando suas elongações, que uma vez passada sua conjunção com o Sol poderemos observar antes do inicio da fase crepuscular matutina na constelação de Peixes, ao passo que o longínquo Netuno (7.9) continua aumentando suas elongações, sendo observável em meio a estrelas da constelação de Aquário. As respostas para algumas indagações já começam a chegar e na mesma proporção de que as missões Dawn (NASA/JPL) e New Horizons (NASA e Johns Hopkins University) começam a enviar seus respectivos reportes fotográficos. Dos limites do Sistema Solar o diminuto Planeta Menor (134340) Plutão começa a ser mais observado pela câmara mais sensível embarcada na New Horizons, a “Câmera de Reconhecimento de Longo Alcance”, do inglês Reconnaissance Imager Long Range (Lorri), as imagens abaixo realizada em 25 de abril último e o primeiro composer de uma série realizada entre 25 de abril e primeiro de maio último, quando então a distância de 88 milhões de quilômetros e os satélites apresentados na figura 3 abaixo apresentam diâmetro da ordem de 20  60 quilômetros (TALBERT, 2015).


Agora falta muito pouco para a que (1) Ceres, seja finalmente fotografado com uma riqueza de detalhes jamais imaginada desde o inicio de seus sobrevoos por esse planeta menor e a missão Dawn (NASA/JPL), já começa a apresentar as primeiras imagens nítidas do que talvez sejam aquelas manchas brancas existentes na superfície deste planeta menor (figura 4). Então no dia 06 próximo a Dawn estará somente cerca de 4.400 quilômetros de (1) Ceres (NASA, 2015); então alguns questionamentos interessantes começarão a ganhar respostas positivas (e consequentemente mais questionamentos também). 


Sol = O quadro 2 abaixo, apresenta alguns elementos úteis a observação solar neste mês como: e (P.H) = Paralaxe Horizontal, (PO°) = Ângulo de Posição da extremidade Norte do disco solar, (+) E; (-) W, (BO°) = Latitude heliográfica do centro do disco solar (+) N; (-) S, (LO°) = Longitude heliográfica do meridiano central do Sol e ainda, (NRC) Número de rotação Solar de Carrington da série iniciada em novembro 1853 9,946.  

Lua = As fases lunares neste mês, ocorrerão nas datas e horários abaixo mencionadas em Tempo Universal de acordo com a figura 5:

A ocorrência das apsides lunares dar-se-á neste mês na seguinte sequência: Perigeu em 10/06 às 04:40 (TU), quando a Lua então estará somente a 369.712 km do centro da Terra e Apogeu em 23/06 às 17:02 (TU), a Lua estará a 404.132 km do centro de nosso planeta.

Asteroides

As oposições dos asteroides neste mês certamente deixarão nossos observadores, muito satisfeitos pela quantidade que estarão favoráveis as observações e consequentemente armazenagem de registros fotográficos; então será para direção da constelação de Ophiuchus (Serpentário) e região adjacente que deveremos estar na maior parte do tempo, atentos. Vejamos: em 08 de junho (72) Feronia (mag. 11.0), estará muito próximo da brilhante Sabik, uma dupla de rara beleza e magnitude aparente 2.4 3 e tipo espectral A1IV; no dia seguinte (09 de junho), (51) Nemausa (mag. 10.4) estará numa região bem conhecida desta constelação entre as estrelas 57 Oph (mag. 4.6), 30 Oph (mag4.8) e 23 Oph (mag. 5.2). A noite de 12 de junho guardará ainda a oposição de (24) Themis (mag. 11.5), que poderá ser localizado próximo às estrelas 45 Oph (mag 4.2) e 51 Oph (mag. 4.8) quase nas proximidades da constelação de Sagitário; nesta noite ainda poderemos observar entre as brilhantes estrelas da constelação de Hércules o asteroide (2) Pallas (mag. 9.4) sendo as brilhantes 65 Her (mag 3.1) e 86 Her (3.4), estrelas que facilitarão essa localização. O que está bom então ficara ainda melhor devido a fase da Lua (figura 3), pois após sua fase  nova, em 17 de junho (92) Undina (mag. 10.8) estará também em Ophiuchus, podendo ser localizado próximo as estrelas 40 Oph (mag. 4.3) e a brilhante Sabik (mag. 2.4) naquela constelação; mas ainda neste propício período teremos a oposição de (32) Pomona (mag. 10.7) em 18 de junho, sendo sua localização ainda próximo da fronteira de Sagitário e Serpens (Cauda), sendo então 55 Ser, uma gigante de magnitude visual 3.5, classe e tipo espectral A9III, uma ótima referencia para localização deste asteroide. 

Nós poderemos encontrar efemérides para essas observações, bem como uma carta de localização acessando os respectivos links:


Cometas

C/2015 G2 MASTER

O cometa C/2015 G2 MASTER ainda poderá ser observado no horizonte oeste após a ocorrência da fase crepuscular vespertina neste mês de junho, ele encontra-se na constelação de Monoceros até 07/06, no dia seguinte já estará na constelação de Cão Menor até o dia 25/06 encerrando seu período de visibilidade (magnitude de 12.5 conforme tabela 5 abaixo) na constelação de Cancer.

Muitos podem enganar-se, apenas por se basear como um dos principais impedimentos para o registro desses objetos seja a poluição luminosa. Obviamente a poluição luminosa é um problema grave que gera além de uma serie de desequilíbrios em alguns ecossistemas, além do prejuízo financeiro dos contribuintes. Entretanto vejamos o interessante registro fotográfico (figura 6) realizado por Hélio Vital (Lunissolar – REA/RJ) do Cometa C/2015 G2 MASTER em 22 de maio último às 22:20 (TU – Universal Time) da cidade do Rio de Janeiro-Brasil.

Segundo suas próprias informações, ele utilizou uma câmera Canon SX60 HS em exposição única de 1 seg com ISO 3200, estimando brilho de: m=7.8+-0.8; na qual se pode identificar a condensação central do cometa e o início de sua cauda. Observemos também a coloração esverdeada do cometa. As barras em amarelo são indicativas do comprimento visível da cauda, que está centrada no meio delas (VITAL, 2015).
Cometa C/2013 US 10 CATALINA

Este objeto celeste foi descoberto em 31 de outubro de 2013 pela equipe do Catalina Sky Survey próximo de Tucson-AZ sendo que os reportes iniciais do Minor Planet Center em Cambridge MA, davam o 2013 US10 como um grande asteroide próximo a Terra (YEOMANS e CHODAS, 2013). Entretanto observadores já chamavam a atenção para a natureza cometária da órbita deste objeto (AMORIM, 2014) confirmado pela MPEC 2013-V31 (WILLIAMS, 2013); desta forma então esse objeto foi reclassificado como: Cometa C/2013 US 10 CATALINA.


Embora visível na segunda parte da noite, este período será favorável às suas observações (efemérides na tabela 6), embora a fase da Lua possa causar alguma dificuldade.

CONSTELAÇÃO:

Corona Borealis

A ideia de origem divina sempre vem em nossa mente quando mencionamos constelações mitológicas e a Corona Borealis (Coroa Boreal) não foge a essa regra, mesmo porque são várias as lendas que cercam a origem dessa representação, sendo que ela aparece na obra do grego Cláudio Ptolomeu Almagesto, entretanto a origem desse nome e ainda muito anterior àquela época; em sua forma inconfundível e representada por um arco de círculo (figura 7) de fácil visualização no céu. (MOURÃO, 1987). 

Talvez seja justamente a beleza e charme que essa constelação apresenta-se no céu, faça com que a Coroa Boreal seja um dos mais belos conjuntos de estrelas da abobada celeste, Entretanto para melhor apreciação de todo esse belo visual desta região irá sempre requer que estejamos afastados da poluição luminosa que afeta os grandes centros urbanos.

Superando-se esse óbice, nossa atenção será num primeiro momento para sua estrela mais brilhante Alfeca (Alfa CrB), as que podemos chamar-lhe também por Gemma, Margarita e Pérola. Estes dois últimos, tradução de denominações provenientes do chinês (MOURÃO, 1987). Estrela essa que possui uma magnitude visual de 2.2, cuja classe e tipo espectral A0V+G5V indica tratar-se de uma estrela branco azulada, sendo também uma variável eclipsante tipo EA/DM (sistema eclipsante tipo β Persei (Algol), cujo período e de 17.359d. Nusakan (Beta CrB) e uma gigante Branco amarelada de tipo e classe espectral F0IIIp(Sr-Cr-Eu) de magnitude visual 3.6, sua variabilidade demonstra ser essa uma estrela tipo ACV (Variável Canum Venaticorum) sendo essas estrelas de sequência principal com tipos espectrais B8p-A7p exibindo  campos magnéticos fortes (AAVSO, 2015). Gama CrB, já classificada como uma variável cefeida de período ultracurto do grupo Delta Scuti apresenta uma variação de magnitude aparente entre 3.8 - 3.86 e seu período de variação não excede 0.03 dias (43 minutos e 12 segundos), ela pertence à classe espectral A0IV tratando-se de uma estrela branca a cerca de 146.6 anos luz de distância. Delta CrB de magnitude 4.5 e tipo classe espectral G5III-IV e uma estrela amarela cuja amplitude de variabilidade pode ser de até 0,5 magnitude.
Não variáveis nesta constelação, temos ainda entre as principais estrelas Épsilon CrB, essa uma gigante alaranjada, 90 vezes mais brilhante que o Sol de magnitude 4.1 classe e tipo espectral K2IIIab que encontra-se cerca de 221 anos luz da Terra e Theta CrB; uma estrela branco azulada também de magnitude 4.1 classe e tipo espectral B6III essa já um pouco mais de 374 anos luz da Terra, mas aproximadamente 200 vezes mais brilhante que o Sol (ALMEIDA, 2000). Por outro lado temos ainda nesta região Eta CrB, uma binária espectroscópica de tipo espectral G1V+G3V descoberta pelo astrônomo russo Friedrich Georg Wilhelm von Struve de magnitude 4.9 (WDS, 2014) e Iota CrB, de classe e tipo espectral A0IIIp e magnitude 4.9 e ao que parece, deve ser uma ACV também. Para tanto a AAVSO (American Association of Variable Star Observers) incluiu em seu banco de dados, as respectivas designações NSV 7054 e NSV 7396 para essas duas estrelas.

R Coronae Borealis

Embora não tenha certeza, mas quero crer que R Coronae Borealis (R CrB) seja uma das estrelas variáveis mais observadas pelos astrônomos que se dedicam a essa gratificante atividade, uma vez que até 24 abril último o Index Internacional de Estrelas Variáveis (The International Variable Star Index) trouxe a expressiva marca de 283967 observações realizadas pela essa estrela, conforme podemos  na figura 8 abaixo.

Desde a sua descoberta pelo astrônomo amador inglês Edward Pigott (1753 - 1825), R Coronae Borealis (R CrB) tem sido a favorita entre os observadores. Localizada dentro do aro brilhante de estrelas que formam a Coroa Boreal, R CrB normalmente é fácil de se encontrar com binóculos ou mesmo a olho nu na sexta magnitude. (DAVIS, 2000)


Estas supergigantes raras, luminosas, pobres em hidrogênio e ricas em carbono, passam a maior parte do seu tempo no máximo de luz, eventualmente caindo até 9 magnitudes, em intervalos irregulares. Elas então lentamente recuperam seu brilho máximo depois de alguns meses a um ano. Os membros deste grupo têm classe espectral de F a K e R. (AAVSO Manual, 2011).

Uma rápida visita ainda a site da AAVSO, foi possível gerar a curva de luz figura 9 de R Coronae Borealis (R CrB), sendo que atualmente segundo a Circular for Apr 22, 2015 to May 22, 2015 recebida, ela encontrava-se entre a magnitude 7.9 e 8.3, sendo observada por observadores de diversas partes do mundo.

Por que devemos observar o céu?

Eu quando mais jovem, sempre questionava por quais motivos devemos observar o céu, por que entender nosso posicionamento no sistema solar e também saber quais os motivos que levam alguns a desistirem completamente de seus estudos? Pois bem, a resposta chegou-me numa situação que tive o privilégio de conhecer ao folhear notas em livros e circulares existentes na Biblioteca do CEAMIG. Senão vejamos: Bruno Morando (1931-1995) insigne astrônomo francês ao tomar posse em 23/06/1976 como presidente da Société Astronomique de France (SAF) durante seu discurso de posse, mencionou alguns desencantamentos que passavam alguns astrônomos profissionais. E em sua forma contextualizada ele mencionou uma situação recorrente; disse ele: ...  

"São efetivamente muitos astrônomos profissionais que foram levados a escolher esse ofício pela paixão que a astronomia inspirava em sua juventude. Mas a vida cotidiana, as tarefas de rotina e administrativa, as vezes até mesmo a competição áspera, poderiam talvez acabar por desencantar lhes, se o ardor, a fé, a curiosidade e a animação dos astrônomo(as) amadores de todas as idades não devolvesse a eles o reflexo da reflexão da própria adolescência entusiasta."

Reflexão legal não é mesmo? Mas ele ainda completa o ponto basilar que realmente quero compartilhar com vocês:

"Quando se sente aquela curiosidade ativa devoradora que nos leva a penetrar nas maravilhas da natureza, não se pergunta mais para o que serve esse estudo, porque ela serve para nossa felicidade".


Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2015. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2014. Disponível em: <http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2015.pdf> Acesso em: 08 dez. 2014.

- ____________. Sky and Observers, Belo Horizonte; Agosto 2012: Disponível em: < http://skyandobservers.blogspot.com.br/2012_08_01_archive.html> Acesso em 26 Jan 2015.

- BURNHAM Jr, Robert. – Burnham's Celestial Handbook. Dover Publications, Inc., 1978. ISBN 0-486-23568-8 p. 697/715.– Inc. New York – USA, 1978.

- AMORIM, Alexandre. REA/BRASIL, Florianópolis, Set. 2014. Disponível em < http://rea-brasil.org/cometas/13us10.htm>. Acesso em: 22 Abr. 2015.

- ____________. Anuário Astronômico Catarinense 2015. Florianópolis: Ed: do Autor, 2014. 180p.
  
- CHEVALLEY, Patrick. SkyChart / Cartes du Ciel - Version 3.8, March. 2013. Disponível em:   <http://ap-i.net/skychart/start?id=en/start>. - Acesso em: 11 Jan. 2015.

- ALMEIDA, Guilherme de. , Pedro. Observar o Céu Profundo. ISBN-972-707-278-X. Ed. Plátano Edições Técnicas, 1ª Edição, Julho 2000; Lisboa Portugal. 339p.

- American Association of Variable Star Observers, AAVSO/vsots, The International Variable Star Index: 2005-2013. Disponível em: < http://www.aavso.org/vsx/index.php?view=results.submit0> - Acesso em: 24 Mai. 2015.

- _______________, DAVIS. Kate, AAVSO. The Enigmatic R Coronae Borealis. January 2000. http://www.aavso.org/vsots_rcrb Acess in 24 Mai 2015.

- Manual para Observação Visual de Estrelas Variáveis - ISBN 1-878174-87-8. Ed. Português – set. 2011 – CEAAL, 70p. Disponível em: <http://www.aavso.org/sites/default/files/publications_files/manual/portuguese/PortugueseManual.pdf> - Acesso em 25 Mai 2015.

- General Catalog of Variable Stars (GCVS) Sternberg Astronomical Institute, Moscow (Sep., 2009, Epoch 2000): Disponivel em: < www.handprint.com/ASTRO/XLSX/GCVS.xlsx> – Acesso em: 08 Dez 2014.

- NASA/JPL-DAWN Mission – News 20 May 2015: <http://dawn.jpl.nasa.gov/news/news-detail.html?id=4594>Acess in: 21 May 2015.

- TALBERT, Tricia. May 12, 2015 – NASA/JPL (New Horizons Mission). 

- VITAL, Hélio de Carvalho. Correspondência pessoal (e-mail) 25 maio 2015. 23:43P.

- YEOMANS, Don. CHODAS, Paul. NASA/JPL Near-Earth Object Program Office. <http://neo.jpl.nasa.gov/news/news181.html> Acess in: 22 May 2015.

- WILLIAMS, Gareth V. IAU/MPC - M.P.E.C. 2013-V31 - <http://www.minorplanetcenter.net/mpec/K13/K13V31.html> Acess in: 22 May 2015.

O asteroide (68) Leto em 2015!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Em 30 de julho próximo, o asteroide Leto estará com seu posicionamento favorável às observações (fase da Lua = +0.970), quando então sua magnitude chegará a 9.8, portanto dentro dos limites de magnitudes observáveis de instrumentos óticos de pequeno porte. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste ilustrativa, objetivando sua localização nos próximos dias. 
 
Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, 68 Leto foi descoberto em 29 de abril de 1861 pelo astrônomo alemão Robert Luther (1822 - 1900) no Observatório de Dusseldorf. Seu nome é uma homenagem á filha do titão Cocus com a titânida Febe, mãe de Diana e Apolo com Júpiter. (Mourão, 1987).

Notas:
1 = (ua)* Unidade Astronômica. Unidade de distância equivalente a 149.600 x 106m. Convencionou-se, para definir a unidade de distância astronômica, tornar-se como comprimento de referência o semi-eixo maior que teria a órbita de um planeta ideal de m=0, não perturbado, e cujo período de revolução fosse igual ao da Terra.

2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2015. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2014. Disponível em: <http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2015.pdf> Acesso em 03 dez. 2014.

O Planeta Menor (1) Ceres em 2015!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Em 25 de julho próximo, o Planeta Menor Ceres estará com seu posicionamento favorável às observações (fase da Lua = +0.485), quando então sua magnitude chegará a 7.5, portanto dentro dos limites de magnitudes observáveis de instrumentos óticos de pequeno porte. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste ilustrativa, objetivando sua localização nos próximos dias. 


Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, 1 Ceres foi descoberto em 01 de janeiro de 1801 pelo astrônomo italiano Giuseppe Piazzi (1746 — 1826) no Observatório de Palermo. (Mourão, 1987). Tendo recebido inicialmente a designação de Ceres-Ferdinandea, em homenagem à deusa romana da agricultura e a Ferdinando IV (1751 - 1825) rei da Sicília (Schmadel, 2003). (1) Ceres foi designado como Planeta Anão (Dwarf Planet) durante a 26ª Assembleia Geral da União Astronômica Internacional, ocorrida entre 14 a 25 de agosto de 2006, em Praga na República Checa (IAU, 2006).   

Notas:
1 = (ua)* Unidade Astronômica. Unidade de distância equivalente a 149.600 x 106m. Convencionou-se, para definir a unidade de distância astronômica, tornar-se como comprimento de referência o semi-eixo maior que teria a órbita de um planeta ideal de m=0, não perturbado, e cujo período de revolução fosse igual ao da Terra.

2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2015. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2014. Disponível em: <http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2015.pdf> Acesso em 03 dez. 2014. 

- SCHMADEL, Lutz (2003). Dicionário de nomes planeta menor (6 ed.). Alemanha: Springer. p. 15. ISBN 978-3-540- 00238-3.                 

- Press Release IAU 0601. Disponível em <http://www.iau.org/news/pressreleases/?search=iau0601> - Acesso em 31 out. 2014.

Observación de Meteoros - Junio 2015

CAMPAÑA OBSERVACIÓN DE METEOROS
SECCIÓN MATERIA INTERPLANETARIA
LIGA IBEROAMERICANA DE ASTRONOMÍA

JUNIO 2015

En especial para el hemisferio sur, el mes de junio, debido a los cielos despejados y noches largas en estas latitudes la distribución de los radiantes de las lluvias de meteoros es bastante regular con una acumulación evidente de los mismos, que pueden producir la observación de muchos y muy brillantes meteoros. Por lo que junio es un mes muy importante para la observación. Muchos de estos radiantes también son visibles en el hemisferio norte.

ESCÓRPIDAS-SAGITÁRIDAS

La primera semana de junio podremos observar una zona fácil de identificar: el complejo de Escorpio-Sagitario con 7 corrientes meteóricas asociadas. Las Tasas Horarias Zenitales (THZ) de esos radiantes son bajas pero en su conjunto la observación es interesante con 5 y 15 meteoros / hora. Constituye una buena práctica dado que se pueden observar meteoros de velocidades moderadas-lentas de estos radiantes claramente distinguibles de los usualmente veloces esporádicos. 

Entre los radiantes proyectados en las proximidades de las Sagitáridas, podríamos destacar un par de ellos. Las Zeta Ofiúquidas poseen un máximo en torno al 13 de junio con una THZ de unos 5 meteoros / hora. Puede presentar meteoros brillantes caracterizados por su velocidad moderada-lenta. El radiante de las Omega Escórpidas alcanza su mayor actividad en torno al 15 de junio, presentando también meteoros de velocidades lentas.


Posición y desplazamiento de los principales radiantes activos en el complejo de Escorpio-Sagitario. Se muestran los desplazamientos para las Sagitáridas (SAG), Zeta Ofíuquidas (TOP) y Omega Escorpiónidas (OSC). También se muestran Lambda Sagitáridas (LSA) y Gamma Sagitáridas (GSA).

BOÓTIDAS
Otra lluvia importante a final de mes es la actividad de las Boótidas de Junio, después de la medianoche en la constelación Bootes. Producidas por restos del fragmentado cometa 7P/Pons-Winnecke, este enjambre de meteoroides ha sido sometido a grandes perturbaciones planetarias que han impedido durante décadas que la Tierra interceptase las cortinas de polvo dejadas por su cometa progenitor, la lluvia se pensaba inexistente cuando presentó un estallido de actividad en junio de 1998. Durante los siguientes años la actividad se mantuvo en un aproximado de 25 meteoros/hora en torno al 23 de junio, que podría estar activo hasta principios de julio.

Posición del radiante de las Boótidas de Junio.

LÍRIDAS
Hay otro radiante activo importante entre el 11 y el 30 de junio: las Líridas de Junio (JLY) en la constelación Lira con 6 meteoros el 16 su  fecha de máxima actividad.

Esperamos sus reportes y consultas.

Pável Balderas Espinoza pavelba@hotmail.com
(Tarija-Bolivia)
Coordinador General
Sección Materia Interplanetaria 
LIADA - Liga Iberoamericana de Astronomía

Dr. Josep M. Trigo trigo@ieec.uab.es
(Barcelona-España)
Co-coordinador 
Sección Materia Interplanetaria 
LIADA - Liga Iberoamericana de Astronomía

História da Astronomia no Brasil

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB


Certamente no futuro ao fazermos alguma referência ao passado da astronomia no Brasil, nossa atenção prender-se-á detidamente nas leituras do livro "História da Astronomia no Brasil" que se encontra disponível para download no site do MAST (Museu de Astronomia e Ciências Afins).


Esta obra, organizada pelo Professor Oscar Toshiaki Matsuura em colaboração com mais de 50 astrônomos atuantes no Brasil apresenta diversos aspectos que envolveram a construção de uma base para o atual status da ciência no país.


Dividida em 02 volumes (Figura. 1) e setorizadas por capítulos (links), o total de páginas chega próximo a 1300 páginas, sendo recomendado download (gratuito) disponível no site acima indicado.

Além da abrangência deste rico conteúdo, chama nossa atenção a inclusão também dos trabalhos realizados por astrônomos amadores em solo brasileiro ao longo de quase 200 anos. Neste capitulo 15 do 2º volume, a brilhante síntese realizada pelo seu autor, o professor Tasso Augusto Napoleão visto uma vez que de forma elegante consegue passar essas informações de modo hábil e prazeroso.

Ao professor Oscar Toshiaki Matsuura e toda equipe de colaboradores (abaixo identificados pelos seus respectivos artigos) para que esse gigantesco projeto viesse a lume nossos agradecimentos e parabéns por tão importante iniciativa.

Volume 01 - Artigos:

Prefácio
José Antonio Bertotti Júnior

Capítulo 1. APRESENTAÇÃO
Recontando a história da astronomia no Brasil
Oscar T. Matsuura

Capítulo 2. ARQUEOASTRONOMIA
Arqueoastronomia no Brasil
Germano Bruno Afonso e Carlos Aurélio Nadal

Capítulo 3. ASTRONOMIA INDÍGENA
Relações céu-terra entre os indígenas no Brasil: distintos céus, diferentes olhares
Flavia Pedroza Lima; Priscila Faulhaber Barbosa; Marcio D´Olne Campos; Luiz Carlos Jafelice e Luiz Carlos Borges 

Capítulo 4. ASTRONOMIA DO DESCOBRIMENTO
A difusão do Cruzeiro do Sul na cartografia quinhentista
Gil Alves Silva 

Capítulo 5. BRASIL HOLANDÊS
Um observatório de ponta no Novo Mundo
Oscar T. Matsuura

A astronomia e o mapa Brasilia qua parte paret belgis, de Jorge Marcgrave
Jorge Pimentel Cintra e Levy Pereira

Capítulo 6. EXPEDIÇÕES EUROPEIAS PARA O BRASIL
Práticas astronômicas nos confins da América: instrumentos e livros científicos na construção do Brasil (1750 – 1760)
Heloisa Meireles Gesteira 

Capítulo 7. EXPEDIÇÕES ASTRONÔMICAS
Astronomia e território: a Comissão Demarcadora de Limites entre Brasil e Argentina
Bruno Capilé e Moema de Rezende Vergara

Capítulo 8. ENSINO SUPERIOR DE ASTRONOMIA
O Observatório do Valongo e a história do ensino superior de astronomia no Rio de Janeiro
José Adolfo S. de Campos

Capítulo 9. DIFUSÃO DA HORA LEGAL
O Serviço da Hora do Observatório Nacional
Jair Barroso Junior e Selma Junqueira 

Capítulo 10. PRIMEIRAS PESQUISAS EM ASTRONOMIA
Ascensão e ocaso das primeiras pesquisas em astrofísica no Observatório Nacional entre as décadas de 1870 e 1930
Antonio Augusto Passos Videira e Vania Patalano Henriques

Capítulo 11. METEORÍTICA
Breve histórico dos meteoritos brasileiros 
Maria Elizabeth Zucolotto 

O evento do Curuçá: a queda de bólidos em 13 de agosto de 1930
Ramiro de la Reza; Henrique Lins de Barros e Paulo Roberto Martini 

Crateras de impacto meteorítico no Brasil
Alvaro Penteado Crósta 

Capítulo 12. ASTROFÍSICA
O desenvolvimento da astrofísica no Brasil
Teresinha Alvarenga Rodrigues
Mário Schenberg, pioneiro da astrofísica teórica brasileira
Antonio Carlos S. Miranda 

Capítulo 13. CHEGADA DA ASTRONOMIA OFICIAL A SÃO PAULO
O Instituto Astronômico e Geofísico da USP
Paulo Marques dos Santos 

Capítulo 14. POSITIVISMO E UTILIDADE DA ASTRONOMIA
As influências filosóficas na implantação da astronomia no Brasil
Alfredo Tiomno Tolmasquim 

Capítulo 15. ASTRONOMIA NA EDUCAÇÃO BÁSICA
O ensino de astronomia no Brasil colonial, os programas do Colégio Pedro II, os Parâmetros Curriculares Nacionais e a formação de professores
Cristina Leite; Paulo Sergio Bretones; Rodolfo Langhi e Sérgio Mascarello Bisch 

Capítulo 16. ACERVO INSTRUMENTAL E ARQUITETÔNICO
Patrimônio científico da astronomia no Brasil
Marcus Granato 

Observatório de uma centenária Escola de Engenharia e sua função hoje
Gilson Antônio Nunes 

O Observatório da UFRGS: patrimônio histórico nacional
Claudio Miguel Bevilacqua

Volume 02 - Artigos:

Capítulo 1. PESQUISAS EM RAIOS CÓSMICOS
Dos primórdios ao Observatório Pierre Auger
Carola Dobrigkeit Chinellato 

Capítulo 2. PÓS-GRADUAÇÃO EM ASTRONOMIA
40 anos de pós-graduação em astronomia no IAG/USP: uma história de sucessos
Walter Junqueira Maciel 

A multiplicação de centros de astronomia no país
Kepler de Souza Oliveira Filho 

Capítulo 3. RADIOASTRONOMIA
A radioastronomia na aurora da modernização da astronomia brasileira
Paulo Marques dos Santos e Oscar T. Matsuura 

Capítulo 4. COSMOLOGIA TEÓRICA
Gravitação e Cosmologia
Marcos D. Maia 

Capítulo 5. ORGANIZAÇÃO DA COMUNIDADE ASTRONÔMICA
Sociedade Astronômica Brasileira (SAB)
Roberto D. Dias da Costa

Capítulo 6. O OBSERVATÓRIO DE MONTANHA 
O Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA)
Carlos Alberto de Oliveira Torres e Christina Helena da Motta Barboza 

Capítulo 7. DESENVOLVIMENTO DE INSTRUMENTAÇÃO
Desenvolvimento de instrumentação óptica e infravermelha (1980-2013)
Bruno Vaz Castilho 

Capítulo 8. ONDAS GRAVITACIONAIS
Pesquisa em ondas gravitacionais
Odylio Denys de Aguiar 

Capítulo 9. EMPREENDIMENTOS INTERNACIONAIS
Participação do Brasil em consórcios internacionais
Beatriz Barbuy 

Desvendando o universo com grandes mapeamentos
Luiz Nicolaci da Costa; Paulo Pellegrini e Marcio A. G. Maia 

Capítulo 10. FINANCIAMENTO DA ASTRONOMIA
Quanto tem custado a astronomia no Brasil?
Jacques R. D. Lépine 

Capítulo 11. ASSEMBLEIA GERAL DA IAU NO RIO DE JANEIRO
Agosto de 2009: o Brasil sediando o maior evento da astronomia mundial
Daniela Lazzaro 

Capítulo 12. MUSEU E UNIDADE DE PESQUISA
MAST, um projeto precursor
Ana Maria Ribeiro de Andrade e Sibele Cazelli 

Capítulo 13. DIVULGAÇÃO E EDUCAÇÃO NÃO FORMAL NA ASTRONOMIA
A astronomia e o público leigo
Douglas Falcão; Maria Esther Valente e Eugenio Reis Neto

Planetários
Maria Helena Steffani e Fernando Vieira 

Capítulo 14. OLIMPÍADAS DE ASTRONOMIA
Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA)
João Batista Garcia Canalle 

Capítulo 15. ASTRÔNOMOS AMADORES
Dos tempos do Império aos observatórios robóticos
Tasso Augusto Napoleão 

Imigrantes japoneses no menor observatório do mundo
Oscar T. Matsuura 

Capítulo 16. QUESTÃO DO GÊNERO
A astronomia brasileira no feminino
Sueli M. M. Viegas 

Capítulo 17. ASTRONOMIA ESPACIAL
Astronomia de altas energias
João Braga 

Capítulo 18. EPÍLOGO 
Reflexões sobre o passado e o futuro da astronomia no Brasil
José Antonio de Freitas Pacheco

No Ano Internacional da Luz, a comunidade astronômica celebra, Camille Flammarion (1842-1925)

Nelson  Travnik
nelson-travnik@hotmail.com
Observatório Astronômico de Piracicaba,SP - Brasil
Sociedade Astronômica da França


Astronomia lembra este ano o 90º aniversário do seu desenlace. “O corpo passa. A alma vive no infinito e na eternidade”. (C.Flammarion)

No contexto do Ano Internacional da Luz, proclamado pela ONU-UNESCO, a comunidade astronômica de todo o mundo, especialmente a francesa, estará reverenciando no próximo dia 3 de junho a memória de Camille Flammarion, um  dos maiores divulgadores da astronomia de todos os tempos. Astrônomo, sábio e filosofo,  o  “Mestre de Juvisy”, o “Poeta do Céu”, partiu para a espiritualidade vítima de uma crise cardíaca aos 83 anos, 3 meses e 8 dias. Numa manhã ensolarada onde a vida irradiava nas flores e nos cantos dos pássaros, levantou-se da mesa em que trabalhava com seu sobrinho Charles e aproximou-se da janela para contemplar o jardim do Observatório. Gabrielle Renaudot Flammarion, sua dedicada esposa acompanhou-o e ele, sentindo sua presença, murmurou, balançando a cabeça encanecida: “Como é belo o mundo! Como é bela a vida !” Depois, voltou-se e olhou-a carinhosamente. De repente, seu rosto crispou-se e ele disse apenas: “meu coração” e em seguida “que mistério é a vida, que mistério é a morte”. Tombou nos braços de Gabrielle. Poucos minutos antes, corrigira as provas de seu último livro: “A Morte e seu Mistério”. Foi através da porta mágica da poesia que ele levou para a Estrada de Urânia, milhares de amantes da ciência do céu. Como Prometeu, seu intuito era trazer ao homem comum as luzes do céu e do conhecimento. Amou a música com tamanha devoção a ponto do grande compositor e amigo Camille Saint-Saens declarar um dia que o astrônomo estava a lhe fazer concorrência. Quase todos os astrônomos daqueles séculos foram, mesmo sem o pressentir, “crias” de Flammarion.

Todos os anos no dia 3 de junho, membros da Sociedade Astronômica da França, SAF e admiradores, reúnem-se à volta do seu túmulo no jardim do Observatório, reverenciando sua memória e a grande contribuição à astronomia que mais despertou mentes voltadas ao estudo do céu. Entre seus admiradores estavam o imortal  Victor Hugo (1802-1885), o grande músico Camille Saint Saëns (1835-1921) e os imperadores Napoleão III (1808-1873) e D. Pedro II d’ Alcantara (1825-1891) do Brasil. Nosso Imperador, um grande aficionado da astronomia ,foi membro nº 85 da SAF bem como Alberto Santos-Dumont ( 1873-1932), também aficionado e grandes admiradores de Flammarion.

Após receber de presente o livro “Urania’, D. Pedro  II foi uma das primeiras personalidades a visitá-lo, atendendo convite para a inauguração do Observatório de Juvisy-sur- Orge  em 29 de julho de 1887. Nessa ocasião com uma observação do planeta Vênus, inaugurou a luneta de 24 cm com óptica de Bardou, concedeu a Flammarion a comenda da “Ordem da Rosa” bem como plantou no jardim do Observatório uma muda de cedro do Líbano. Esta árvore existe até hoje e há uma placa alusiva ao simpático gesto do nosso Imperador. Constatei isso quando estive em 17 de setembro de 2011 na reinauguração do Observatório após amplas reformas há muito necessárias. Em março de 1882 fundou a revista L’ Astronomie, que existe até hoje, 133 anos ! Uma efeméride difícil de ser igualada. Em 1887 fundou a Sociedade Astronômica da França, SAF, ainda uma das mais ativas do mundo com milhares de sócios em todo o mundo. É  seu primeiro presidente e assume a direção do Boletim Mensal. Em 1879 surge a primeira edição do seu livro “Astronomia Popular”, sua grande obra e que lhe valeu o prêmio Montyon em 1880 concedido pela Academia Francesa. Em 1955 sob direção de sua esposa Gabrielle Camille Flammarion, Secretaria Geral da SAF e de André Danjon, diretor do Observatório de Paris, o livro com 609 páginas é reeditado inteiramente refeito com os conhecimentos atuais da astronomia até aquele ano. Como suplemento ao livro, em 1896 surge “As Estrelas e as Curiosidades do Céu”, uma descrição completa do céu visível a olho nu e de todos os objetos celestes fáceis de observar. O ponto alto do livro com 792 páginas, é a observação de estrelas duplas. Convém lembrar que em 1878 Flammarion havia publicado um Catálogo de Estrelas Duplas Visuais que foi por muito tempo considerado o melhor do mundo. Por essas e muitas outras obras, Flammarion recebeu em 1912 um prêmio da Legião de Honra pela sua contribuição dada a divulgação da astronomia. Em 1899 fundou  o Observatório das Sociedades Eruditas . Flammarion escreveu 55 obras de ciência e filosóficas, Atlas Celeste, Carta Celeste, Planisfério Móbil, Carta Geral da Lua, cartas astronômicas e globos da Lua e de Marte.  Publicou muitos trabalhos de pesquisa na Academia de Ciências de Paris . É curioso atentar uma relação neste Ano Internacional da Luz com o sobrenome ‘Flammarion’: na letra e significação galoromana é “aquele que leva a luz”. E realmente levou a luz das estrelas a milhões de pessoas.

REFERÊNCIAS 

L’ Astronomie, revista mensal da Sociedade Astronômica da França.
Camille Flammarion, Astronomie Populaire, edição de 1955
Camille Flammarion, Les Etoiles et les Curiosités du Ciel, edição de 1896.
Camille Flammarion, La Pluralité des Mondes Habités, edição de 1921.
Ronaldo R. Freitas Mourão, Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Editora Nova Fronteira, 1995.

O autor é diretor do Observatório Astronômico de Piracicaba, SP, e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França. Fundou em Matias Barbosa, MG, o Observatório Astronômico Flammarion (1954-1976).