domingo, 1 de maio de 2016

O céu do mês – Maio 2016

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Companheiros e companheiras das jornadas observacionais! Esse certamente será um daqueles períodos que certamente ficarão marcados por algumas décadas como, excepcionais para a história da astronomia de um modo geral, sendo que: a profusão de eventos raros e importantes que estarão ocorrendo na esfera celeste, são de rara oportunidade e beleza e isso movimentará de forma proativa a maioria esmagadora dos partícipes e multiplicadores da ciência astronômica em todo o mundo de uma forma bastante significativa. Senão vejamos: Após 08 de novembro de 2006, será em 09 de maio próximo a primeira oportunidade que teremos de acompanhar de forma integral (em algumas regiões do planeta) a passagem de Mercúrio pelo disco solar (esse evento já registrado de forma exitosa na América do Sul em edições anteriores), neste intuito o colega Hélio de Carvalho Vital da Seção Lunissolar da REA (Rede de Astronomia Observacional)/Brasil, elaborou um projeto observacional bastante interessante (Detalhes em: http://skyandobservers.blogspot.com/2016/04/projeto-de-observacao-transito-de.html), juntamente com um software (Download gratuito disponível em: http://www.geocities.ws/lunissolar2003/Helios_Transits.zip). Então o ato de observar e informar aos seus amigos e colegas já é uma multiplicação muito boa em favor da ciência. Para os mais atentos, Marte ainda dentro deste período, estará em uma de suas oposições favoráveis sendo que também sua máxima aproximação a Terra ocorre neste período também; e o que observar a partir de instrumentos baseados na superfície terrestre e principalmente com instrumental de pequeno e médio porte? Uma ótima sugestão será verificar os programas observacionais já realizados onde a participação de astrônomos (as) amadores sempre é de grande importância e o texto do Professor Frederico Luiz Funari da REA/Brasil (veterano observador de Marte) ilustra de forma sine-qua-non um imperdível post sobre o registro de nuvens naquele planeta. Talvez seja justamente a nossa conhecida “Star hopping” a técnica mnemônica mais utilizada entre nós para a localização e identificação das estrelas mais brilhantes na esfera celeste, que levaram alguns integrantes do Grupo de Reconhecimento e Estudos do Céu a visualização de uma grande quantidade de estrelas e constelações durante a última Star Party do Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais (CEAMIG), realizada em 09 de abril último no Observatório Wykrota; veja a linda fotografia de NGC 3372, realizada naquela oportunidade. Antecipando-me a algumas ocorrências apresento neste mês Serpens (Caput e Cauda), uma região celeste que surpreendeu e ainda causa admiração em muitos observadores.
Noites estreladas para todos!

CEAMIG Star Party de 09 de abril 

A riqueza das noites favoráveis neste último período talvez possa ser retratada nesta belíssima imagem da Nebulosa Eta Carinae (NGC 3372).

Gleison Quintão (associados do CEAMIG) utilizou um Telescópio GSO 8" - Ritchey-Chrétien RC8, uma Câmera Canon T3i sem modificações e Tripé HEQ-5 Skywatcher, realizando um total de 11 fotos com 60 segundos de exposição, ISO 3200, empilhados no DSS e trabalhado no Photoshop.

Ocultações de Estrelas na Constelação de Taurus pela Lua

Atravessando novamente o campo uma região muito rica em estrelas na esfera celeste, nesta oportunidade em 08 de maio próximo a lua proporcionará uma série de ocultações da constelação de Touro, conforme abaixo mencionadas.

Hyadum II (delta 1 Tauri)

A Lua +3%% iluminada e com a elongação solar de 20º ocultará a estrela Hyadum II (delta 1 Tauri) de magnitude 3.8 e tipo espectral K0-IIICN0.5. Esse será visível de forma diurna em partes da Antártida e regiões da Oceania, compreendendo o arquipélago das ilhas Chatham, Nova Zelândia e partes da Austrália (incluindo a Ilha Norfolk; já na região australiana, ela poderá ser acompanhada da região sudeste da Austrália Meridional, Sul de Queensland, Nova Gales do Sul e Vitória) de acordo com a figura A, apresentada no quadro 1.

Theta 2 Tauri

Em seguida, a Lua +3% iluminada e com a elongação solar de 21°, ocultará a brilhante estrela theta 2 Tauri  de magnitude 3.4 e tipo espectral A7 III. Esse evento então poderá ser observado no norte da América do Norte (região do Alaska), Norte da Ásia e partes do leste da Europa de forma diurna de acordo com a figura B, apresentada no quadro 1.

Aldebaran (alpha Tauri)

Novamente marcando esse mês a Lua, então +4% iluminada e com a elongação solar de 22º, ocultará a brilhante estrela Aldebaran de magnitude 0.9 e tipo espectral K5+III. Esse evento poderá ser observado em grande parte da Ásia, Europa e África de forma diurna, sendo que regiões do extremo oriente, junto áreas adjacentes ao oceano pacífico observarão esse evento na faixa crepuscular do dia conforme apresentado na figura C no quadro 1.

Ocultação de Zavijava (Beta Virginis) em 16 de maio

Em 16 de maio a Lua 72% iluminada e com a elongação solar de 121° ocultará Zavijava (beta Virginis) de magnitude 3.6 e tipo espectral F9V. Esse evento poderá ser observado na Oceania e sudeste asiático; ela será observada já no período diurno ao sul da Ásia conforme demostra a figura A, apresentada no quadro 2.

Ocultação de Zaniah (eta Virginis) em 17 de maio

Em 17 de maio a Lua 81% iluminada e com a elongação solar de 129° ocultará a estrela Zaniah (eta Virginis) de magnitude 3.9 e tipo espectral A2IV. Esse evento poderá ser observado em grande parte da América do Sul e oceano Pacífico sendo que no arquipélago do Havaí o evento já ocorre na parte diurna. Informações adicionais encontram-se postadas em: http://skyandobservers.blogspot.com/2016/05/a-ocultacao-de-zaniah-eta-virginis-pela.html.

Ocultação de Zubenelhakrabi (Gamma Librae) em 21 de maio

Em 21 de maio a Lua 100% iluminada e com a elongação solar de 173° ocultará a estrela Zubenelhakrabi (Gamma Librae) de magnitude 3.9 e tipo espectral G8.5III. Esse evento poderá ser observado em sua totalidade em vasta região do oceano pacífico, sendo a melhor visibilidade dar-se-á no arquipélago do Havaí onde o evento será observado na faixa noturna conforme demostra a figura B, apresentada no quadro 2.

Ocultação de Rho Sagittarii em 25 de maio

Em 25 de maio a Lua -85% iluminada e com a elongação solar de 135°, ocultará a estrela Rho Sagittarii de magnitude 3.9 e tipo espectral F0III/IV. Esse evento poderá ser observado de forma diurna no oceano pacífico, ele poderá ser acompanhado de forma noturna já na Oceania (região norte da Austrália) e sudeste asiático (Indonésia e Singapura); esse evento ainda poderá ser observado no extremo sul da Ásia; Maldivas, sul do Sri Lanka e ao sul da Índia (região de Kerala e Tamil Nadu na península indiana) conforme demostra a figura C, apresentada no quadro 2.

No Sistema Solar!

Finalmente chegamos ao profícuo período em que os planetas do sistema Solar novamente despertarão mais a atenção dos observadores em todo o planeta. O trânsito de Mercúrio pelo disco do sol no dia 09 próximo e a oposição do Planeta Marte (-2.0) em 22 de maio (estes eventos estão tratados de forma individualizada e detalhada  em: http://skyandobservers.blogspot.com/2016/04/circunstancias-globais-do-transito.html, http://skyandobservers.blogspot.com/2016/04/projeto-de-observacao-transito-de.html e http://skyandobservers.blogspot.com/2016/04/espetaculo-no-ceu-mercurio-ficara.html; já Marte em: http://goo.gl/85g5DP, a qual neste caso podemos apreciar toda uma metodologia observacional ao alcance de pequenos instrumentos).  Nos derradeiros instantes do crepúsculo civil matutino (antecedendo o nascer do Sol) poderemos ainda acompanhar a presença de Vênus (-3.9), já mergulhando na claridade solar pelo menos nos próximos 12 dias, após isso será possível observar este planeta novamente em julho após seu periélio previsto para o dia 10 (0.71846 u.a raio do Sol). Majestoso no céu Júpiter (-2.2) na constelação de Leão, continua a chamando a atenção dos observadores, sendo que um fenômeno de multi sombras envolvendo os satélites Io e Callisto nesta época poderá ser observado em 07 de maio próximo, conforme apresentado na figura 3.

Já vem próxima a oposição do planeta Saturno (magnitude 0.1) que mesmo atravessando a constelação de Ophiuchus conforme informado na tabela 2; ele ainda fará com a Lua e a brilhante estrela Antares (1.0) em 22 de maio próximo mais uma bela conjunção (AMORIM, 2015). Urano (5.9) conforme foi mencionado em nosso post do mês anterior, esteve em sua conjunção com o Sol; mas neste período ele já poderá de alguma forma ser observado durante a fase de crepúsculo matutino, antecedendo ao nascer do Sol nos primeiros dias deste mês; já na segunda quinzena sua visibilidade pela começa a ocorrer dentro da faixa noturna, mas durante a madrugada. O planeta Netuno (7.9) que permanece na constelação de Aquarius até 03 de maio de 2022, ainda será observado durante a madrugada neste período bem próximo a lambda Aqr (uma gigante vermelha luminosa variável) de magnitude 3.7, classe e tipo espectral M2.5IIIa. Na medida em que a constelação de Sagittarius aparece no céu noturno, (134340) Plutão aparece também misturado em meio as brilhantes estrelas daquela região. Em 24 de maio ele terá um pequeno aumento de magnitude (14.1), mas muito mais para pronunciar a proximidade de sua oposição; a tabela 2 abaixo já apresenta efemérides para essas observações.

Agora mergulhado na constelação da Baleia (Cetus), (1) Ceres já ganha alguma condição de observação, mas mesmo assim antes do crepúsculo matutino, ele permanecerá naquela constelação até o final deste ano, somente deixando essa constelação em princípio do próximo ano, quando ingressará na constelação de Peixes (Pisces) conforme podemos observar na tabela 3 abaixo. Sua oposição e prevista para 21 de outubro próximo.

Sol = O quadro 3 abaixo, apresenta alguns elementos úteis a observação solar neste mês como: e (P.H) = Paralaxe Horizontal, (PO°) = Ângulo de Posição da extremidade Norte do disco solar, (+) E; (-) W, (BO°) = Latitude heliográfica do centro do disco solar (+) N; (-) S, (LO°) = Longitude heliográfica do meridiano central do Sol e ainda, (NRC) Número de Rotação Solar de Carrington da série iniciada em novembro 1853 9,946.

Importante destacar neste contexto os trabalhos de registro fotográficos do Sol, cujo objetivo e aprimorar os processos de acompanhamento e registro do transito de Mercúrio, visando aplicação no projeto observacional do transito de Mercúrio, o astrônomo Ricardo José Vaz Tolentino monitorou a Mancha Solar (Sunspot) AR 2533, durante 7 dias, entre 20 a 26 de abril (TOLENTINO, 2016); um texto e registros fotográficos sobre esse interessante evento poderá ser visto em: http://goo.gl/5LS8Wt. Fica novamente o convite para conhecer os demais trabalhos desenvolvidos pelo Observatório Lunar Vaz Tolentino em: http://www.vaztolentino.com.br/.

Lua = As fases lunares neste mês, ocorrerão nas datas e horários abaixo mencionadas em Tempo Universal de acordo com a figura 4.

A ocorrência das apsides lunares dar-se-á neste mês na seguinte sequência: Perigeu ocorrendo em 06/05 às 04:15 (UT = Universal Time), quando a Lua estará cerca de 357.827 km do centro da Terra e Apogeu ocorrendo em 18/05 às 22:07 (UT = Universal Time), quando a Lua estará cerca de 405.933 km do centro de nosso planeta; em 06/05 juntamente a fase nova, ocorrerá o início da lunação de número 1155.

Os trânsitos de Mercúrio neste século

Os trânsitos de Mercúrio pelo disco do Sol, são eventos que ocorrem em média, cerca de 13 vezes por século (VITAL, 2016) sendo que a primeira ocorrência no século XXI deu-se em 07 de maio de 2003; o segundo evento deu-se em 08 de novembro de 2006 e a última ocorrerá em 10 de novembro de 2098 (tabela 4).

As condições gerais de visibilidade para esse próximo trânsito incluindo diversas localidades em todo o globo, encontram-se disponíveis em acessando o seguinte link: http://skyandobservers.blogspot.com/2016/04/circunstancias-globais-do-transito.html.

A oposição de Marte em 2016

As oposições do planeta Marte são épocas muito aguardadas pelos observadores que fazem observações sistemáticas da superfície planetária, além de que Marte sempre aguçou o imaginário de diversos escritores no passado; hoje ele que continua sendo um alvo da exploração espacial (não tripuladas), faz com que a cada novo fato publicado pelos diversos e institutos de pesquisa, continue aumentando os inúmeros questionamentos de sua origem e evolução. Nem mesmo por isso as observações ao alcance dos astrônomos da superfície terrestre estão relegadas ao passado, um exemplo disso é post versando sobre a observação de nuvens na atmosfera marciana (FUNARI, 2016) e as diversas fotografias obtidas por astrônomos amadores publicadas em diversos sites de astronomia (conforme mencionado, uma boa leitura recomendada e os textos que podem ser visitado em: http://goo.gl/85g5DP e http://skyandobservers.blogspot.com/2016/04/observacoes-de-nuvens-no-planeta-marte.html).

Através dessas leituras recomendadas e aproveitando também a metodologia ali descrita, podemos planejar nossas atividades observacionais, sendo que essas oportunidades de observação do disco marciano em suas oposições favoráveis foram (e estão) destacadas na tabela 5 abaixo.

Asteroides

Muito embora as oportunidades observacionais neste mês para o registro destes pequenos corpos celestes continuam e necessário fazer referencia ao periélio de (11) Parthenope que ocorrerá em 06 de maio próximo (AMORIM, 2015); quanto aos demais, a constelação de Libra será uma boa região a ser explorada uma vez que (69) Hesperia (carta de busca e efemérides disponíveis em: http://goo.gl/Q6viVS) poderá ser localizado próximo as estrelas 19 Lib (Zuben Elakribi) uma estrela anã de magnitude 4.9 de classe e tipo espectral B9.5V bem como também Zubenelschemali outra anã branco azulada de magnitude 2.6, classe e tipo espectral B8V. Embora a proximidade da Lua seja um fator que possa desanimar a busca de (23) Thalia em 22 de maio próximo, ele estará numa região muito observada (carta de busca e efemérides disponíveis em: http://goo.gl/EXmYix) nesta noite também devido a oposição de Marte naquela região do céu. Embora ele esteja próximo a Theta Lib (ou 46 Lib), uma gigante amarela de magnitude 4.1, classe e tipo espectral G8.5IIIb, será Graffias (Beta Sco) de magnitude 2.6, o próprio planeta Marte, excelentes referências para sua correta localização. Entretanto o asteroide mais brilhante deste período será (7) Iris (carta de busca e efemérides disponíveis em: http://goo.gl/GwmZwt) este também estará muito próximo a um campo extremamente rico em estrelas, pois a sua localização poderá ser realizada tomando a gigante Antares (mag 1.0) e 22 Sco de magnitude 4.7, classe e tipo espectral B3V, entretanto suas coordenadas equatoriais para o período fazem com que este asteroide se localize na constelação de Ophiuchus.

Cometas

Os Cometas 252 P/LINEAR e o C/2013 X1 Pan-STARRS

As observações do cometa 252 P/LINEAR continuam fazendo com que ele continue a ser observável com instrumentação de pequeno (binóculos 7 x 50, 10 x 50 e 15 x 70mm), sendo que mais observadores brasileiros (Distrito Federal: Ermesson Silva, Santa Catarina; Alexandre Amorim e Lucas Camargo da Silva e São Paulo: Antônio Martini Júnior, Marco Goiato e Willian Souza) se engajaram e reportaram suas observações (AMORIM, 2016). A tabela 6 apresenta efemérides para o período.

O Cometa C 2013 X1 Pan-STARRS

Observado no Brasil entre os dias e 20 de abril último pelos observadores A. Amorim (Florianópolis-SC) e Marco Goiato (Araçatuba-SP) a magnitude do cometa C/2013 X1 Pan-STARRS (AMORIM, 2016) foram reportadas a Seção de Cometas da REA/Brasil. A tabela 7 abaixo, já apresenta para o fim deste período uma magnitude de 5.6 sendo que o mesmo ainda será visível na segunda fase da noite; isso indica também que teremos uma boa oportunidade observacional no mês próximo, quando então ele estará nas constelações de Aquarius e Piscis Austrinus livre da interferência do luar.

CONSTELAÇÃO:

Serpens

Constelação equatorial que ocupa grande área de 637 graus quadrados, parte no hemisfério norte, e parte no hemisfério sul, “separadas entre si pela constelação do Ophiuchus (Ofiúco)”. A área boreal é denominada Serpens Caput (Cabeça da Serpente), e fica ao norte da Libra, e leste de Virgo (Virgem) e de Bootes (Boieiro), e oeste de Hercules (Hércules) e Ophiuchus (Ofiúco), e ao sul de Corona Borealis (Coroa Boreal). A área austral é denominada Serpens Cauda (Cauda da Serpente), e é circundada a leste, norte e sul pelo Ophiuchus (Ofiúco), e fica ao norte do Sagittarius (Sagitário) e a oeste do Scutum (Escudo). Sua denominação científica Serpens representa a Serpente que Ofiúco tem em suas mãos (MOURÃO, 1987).

A figura 5 acima representa ambas as regiões celestes (boreal e austral) mencionadas e quando necessário utilizam-se as abreviaturas SerCp (Seperns Caput) e SerCd (Serpens Cauda) (ALMEIDA, 2000); sendo este mesmo critério utilizado em nossa o caso de nossa apreciação.

Serpens Caput

Será a cabeça da serpente uma boa região que poderemos dar início ao reconhecimento dessa região na esfera celeste (figura 6) sendo que já próximo à fronteira com a constelação de Corona Borealis encontraremos Rho Ser; uma gigante alaranjada de magnitude 4.7, classe e tipo espectral K4.5III que encontra-se cerca de 374.9 anos-luz de distância. Numa outra parte Iota Rho uma anã branca de magnitude 4.5, classe e tipo espectral A1Vp e encontra-se cerca de 189.6 anos-luz de distância podem ser entendidas como duas presas dessa gigantesca serpente. Kappa Ser, essa uma gigante vermelha de magnitude visual 4.0, classe e tipo espectral M0.5IIIab; Gamma Ser de magnitude visual 3.8, uma anã branco amarelada de classe e tipo espectral F6V e também Beta Ser, uma anã branca de magnitude visual 3.6, tipo e classe espectral A1V contornam a cabeça da serpente.

Na primeira parte do corpo extremamente longilíneo dessa serpente, encontraremos também Delta Ser, uma dupla física (ALMEIDA, 2000) constituída de estrelas de magnitude 4.1 e 5.1 respectivamente, cujo período orbital do sistema encontra-se estimado em 1038 anos (WDS, 2016) conforme podemos observar na figura 7.

Alfa Serpentis ou Unukalhai, nome próprio a qual também e conhecida e uma estrela dupla, cujo componente A e uma estrela gigante amarelo alaranjada de magnitude 2.6, tipo e classe espectral K2III cuja distância encontra-se estimada em 73.9 anos luz de distância; seu companheiro, contudo possui uma magnitude de 11.8. Ao seu lado encontraremos Lambda Ser, uma estrela branco amarelada de magnitude visual 4.4, tipo e classe espectral G0IV-V que se encontra cerca de 39.5 anos-luz de distância, possuindo uma velocidade radial cerca de -66.4 [km/s] em aproximação. Epsilon Ser uma estrela de magnitude visual 3.7, classe e tipo espectral A2M, que se encontra cerca de 70.4 anos luz de distância e sua velocidade radial cerca de -9.4 [km/s] também em aproximação. Vai finalizar essa primeira parte do corpo longilíneo de Serpens Caput a estrela Mu Ser, um sistema duplo de estrelas cujo componente A, e uma gigante de coloração branco azulada de magnitude 3.7, classe e tipo espectral B9.5III, já sua componente secundária possui uma magnitude de 5.3 e todo o sistema tem um período de revolução orbital de 35.8 anos, a distância desse par encontra-se estimada em 169.6 anos luz de distância e sua velocidade radial e de distância e sua velocidade radial cerca de -9.4 [km/s] também em aproximação.

O Aglomerado Globular Messier 5

Não são poucos os observadores que reportam visibilidade deste aglomerado globular visível a olho nu (limite de detecção) (ALMEIDA, 2000); muito embora eu não tenha pessoalmente realizado ainda tentativas creio que isso somente seja possível em um céu extremamente escuro e completamente livre de poluição; entretanto já por algumas oportunidades tive a felicidade de observar esse aglomerado com alguns telescópios de pequena e média abertura em Star Parties do Observatório Wykrota. Assim posso afirmar que ele pode ser facilmente observado com telescópios de 140mm de abertura quando apresenta um núcleo bem condensado.

A imagem constante da figura 8 acima foi realizada pelo Telescópio Espacial Hubble; ela realmente supera a expectativa observacional quando este aglomerado e observado ao telescópio, mas posso garantir que a observação visual com esses instrumentos de pequeno e médio porte tem seu encanto.

M5 encontra-se cerca de 25.000 anos-luz de distância com uma magnitude visual de 5.7, possuindo as seguintes dimensões: 19.9 x 19.9'. Suas coordenadas equatoriais são: AR= 15h18m 36.0s e Declinação:+02º 05'00" (2000.0).

Serpens Cauda

Continuemos nossas perquirições agora pela segunda parte (figura 9) do corpo longilíneo dessa serpente, agora na região austral celeste. Alya (Theta Ser) e uma dupla física formada por componentes brancas (ALMEIDA, 2000) de magnitude 4.5 e 4.9 e tipo e classe espectral A5V+A5Vn (WDS, 2016), respectivamente e de fácil resolução com instrumentos de pequena abertura. Eta Ser é a estrela mais brilhante ao longo desta região; de magnitude visual 3.2, classe e tipo espectral K0III-IV pois trata-se de uma gigante alaranjada. Omicron Ser e uma subgigante branca de magnitude visual 4.2, tipo e classe espectral A3IV apresentando uma velocidade radial de -30.2 [km/s] em aproximação.

Voltando agora para o final desta cauda teremos a estrela Nu Ser, uma dupla física que se resolve com um binóculo (ALMEIDA, 2000), cuja magnitude visual do par primário e 4.3 e a secundária possui a magnitude visual de 9.4 (WDS, 2016), sendo ambas brancas de classe e tipo espectral A2V.

NGC 6604 e IC 4756 – Aglomerados Abertos

A surpreendente região dessa constelação de Serpens na região austral, também será bastante proveitosa e os motivos são óbvios, pois NGC 6604 e IC 4756 são aglomerados que estão ao alcance de binóculos e nossos instrumentos de pequeno porte. NGC 6604 um grupo de brilhantes estrelas jovens circundadas por uma nuvem de gás de hidrogênio e IC 4756 localizado numa região densa da Via-Láctea esse aglomerado e de fácil observação, sendo necessário baixa ampliação de imagem para que se possa apreciar todo o campo. NGC 6604 possui uma magnitude de 6.5, suas dimensões angulares são: 2.0 x 2.0' e as coordenadas equatoriais para localização: AR= 18h18m06.0s e Declinação:-12º14'00" (2000.0); já IC 4756 possui uma magnitude de 4.6, suas dimensões angulares são: 39.0 x 39.0' e as coordenadas equatoriais para localização: AR= 18h39m00.0s e Declinação:+05º27'00" (2000.0).

A Nebulosa da Águia - (Messier 16 ou NGC 6611)

Essa fantástica região possui um aglomerado aberto e uma nebulosa de emissão muito embora dificilmente ela possa ser perceptível a visão desarmada (ALMEIDA, 2000) entretanto, ele é visível sem dificuldades em nossos modestos instrumentos, entretanto recomenda-se a aplicação de filtros de UHC (Ultra High Contrast) utilizado para nebulosas planetárias, nebulosas de emissão e restos de supernovas que poderá revelar alguns detalhes. O NGC 6611 possuem estrelas quentes de grande massa que iluminam os pilares (figura 10).

Eu creio que o meio interestrelar seja realmente um ambiente bastante inóspito ao surgimento da vida como muitos cientistas comentam; entretanto a grandiosidade de berçários de estrelas como o apresentado na Nebulosa da Águia seja justamente o repositório de estrelas que tenham a capacidade de abrigar planetas como a Terra; isso já é um bom começo.

As perspectivas observacionais são uma chance inesgotável que a cada dia se renova no céu, onde muitas oportunidades estão ao alcance dos telescópios de pequeno e médio porte e as diversas atividades que ocorrerão neste prolífico período atestam isso de forma indelével, uma vez que o engajamento de astrônomos (as) de diversas partes do globo, munidos e seus equipamentos (de médio ou pequeno porte), certamente empenhar-se-ão em disseminar um pouco da grandiosidade que tanto encanta a humanidade relevado pela ciência astronômica.

Vamos em frente! Pois o que vem pela frente felizmente é muito trabalho a ser realizado, e o céu já marcou as datas e locais de observação com todos nós.

Boas Observações!


Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2016. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2015. 115p. Disponível em: <http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2016.pdf> Acesso em 17 Nov. 2015.

- AMORIM, Alexandre. Anuário Astronômico Catarinense 2016. Florianópolis: Ed: do Autor, 2015. 182p.

- _______________ - Rea/Brasil Website (SECÇÃO DE COMETAS) - <http://rea-brasil.org/cometas/observ252p.html> (atualização em 17/04/2016). Acesso em 26 Abr. 2016.

- _______________ - Rea/Brasil Website (SECÇÃO DE COMETAS) - <http://rea-brasil.org/cometas/observ13x1.htm> (atualização em 17/04/2016). Acesso em 26 Abr. 2016.


- CHEVALLEY, Patrick. SkyChart / Cartes du Ciel - Version 3.8, March. 2013. Disponível em:   <http://ap-i.net/skychart/start?id=en/start>. - Acesso em: 26 Nov. 2015.

- HERALD, Dave. Occult4 v4.1.0.27 (24 March. 2014) Uptade v4.2.0 available in: Acess in 28 Abr. 2016.

- Sea and Sky. (Website), Available in: <http://www.seasky.org/constellations/constellations-july.html> - Acess in: 26 Nov, 2015.

- FUNARI, Frederico Luiz. (ffunari@uol.com.br). [Reanet] 22/MAI - Oposição de Marte - Campanha observacional e de divulgação [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por arcampos_0911@yahoo.com.br em 12 Abr. 2016 - 12:18 (PM)

- VITAL, Hélio Carvalho. Programa para Cálculo de Circunstâncias Locais de Trânsitos Planetários - E-Mail [Personal Communication]. Message received by arcampos_0911@yahoo.com.br 07 Abr. 2016 (9:14) AM.

- QUINTÃO, Gleison. Re: Star Party - E-Mail [Personal Communication]. Message received by arcampos_0911@yahoo.com.br 18  Abr. 2016, 19:21.

- ALMEIDA, Guilherme de. , Pedro. Observar o Céu Profundo. ISBN-972-707-278-X. Ed. Plátano Edições Técnicas, 1ª Edição, Julho 2000; Lisboa Portugal. 339p.

- TOLENTINO, Ricardo Jose Vaz. Re: Monitoramento da Mancha Solar AR 2533. - E-Mail [Personal Communication]. Message received by arcampos_0911@yahoo.com.br 27 Abr. 2016 (13:45)

- Washington Double Star Catalog (WDS) - Double Star Database, Data Last: (2015). Available in < http://stelledoppie.goaction.it/index2.php?iddoppia=63176> – Acess in: 27 Abr. 2016.

- NGC6611 Picture - ESA/Hubble images - Available in < http://hubblesite.org/newscenter/archive/releases/1995/44/image/b/> Acess in: 27 Abr. 2016.

Projeto de Observação: Trânsito de Mercúrio em 09 de Maio de 2016

Helio de Carvalho Vital
hcvital@gmail.com
Seção de Eclipses da REA

Introdução e Circunstâncias Globais

Cerca de treze vezes por século, o fugaz e arredio Mercúrio pode ser visto como um pequenino círculo negro cruzando o disco solar, numa espécie de mini-eclipse, que recebe a denominação Trânsito de Mercúrio.

Em 9 de Maio de 2016, mais um desses interessantes eventos poderá ser apreciado em todas suas fases desde todo o Brasil e sob circunstâncias observacionais muito favoráveis. Veja a Trajetória de Mercúrio pelo disco solar calculada por Espenak para o centro da Terra. Ela pouco dependerá da posição geográfica do observador, embora por efeito da paralaxe, diferenças de até 2 minutos possam ocorrer nos instantes dos contatos.

Devido ao fato de o trânsito ocorrer em Maio, quando o planeta encontra-se mais afastado do Sol e mais próximo da Terra, o diâmetro aparente de Mercúrio será de 12,0”, em contraste com o valor de 10” dos trânsitos que ocorrem junto ao seu periélio, em Novembro. Mesmo assim, ele seu disco será visto 158,4 vezes menor que o do Sol (950,4”) e Mercúrio ocultará apenas a diminuta fração de 1/25000 do disco solar.

Circunstâncias dos contatos para o Leste Brasileiro

A visibilidade do evento em várias cidades brasileiras do Leste Brasileiro terá início às 08:14, Horário Oficial de Brasília (TU-3h), quando ocorrerá o disco de Mercúrio tocará externamente o disco do Sol a apenas 7 graus do ponto Leste do disco solar medido para o Norte. Durante os 3 minutos e 12 segundos seguintes, o disco de Mercúrio estará cruzando o limbo do Astro-Rei em ângulo de 19,4° relativo à normal. O contato II (08:17) ocorrerá quando o disco de Mercúrio tangenciar internamente o limbo solar. Durante 7 horas e meia, Mercúrio percorrerá de Leste para Sudoeste em frente ao disco solar uma corda com extensão de aproximadamente 30 minutos de arco. A maior aproximação do centro disco ocorrerá às 11:58 (Maior Trânsito) e será igual a 1/3 do raio solar em ângulo de posição de 154°. Por fim, a saída de Mercúrio terá início às 15:39 (segundo tangenciamento interno dos limbos - contato III), completando-se às 15:42 (limbos tocam-se externamente pela segunda vez - contato IV). A altura do Sol sobre o horizonte de cidades do Leste Brasileiro variará em torno de 22° no início e no final do trânsito, sendo de cerca de 52° no meio do fenômeno. Além disso, o planeta percorrerá em frente ao disco solar 1 segundo de arco a cada 15 segundos de tempo em média.

Atividades Observacionais Sugeridas

Os equipamentos utilizados na monitoração de manchas solares e eclipses solares parciais e anulares também podem ser usados na observação desse evento. As atividades observacionais sugeridas são:

1 - Cronometragem dos contatos de entrada (I e II) (início de manhã) e saída (III e IV) (meio da tarde), 
2 - Registro (filmagem e fotografia) da evolução do trânsito, em especial junto aos instantes dos contatos.

Cronometragens dos Contatos

O contato I ocorre quando o disco de Mercúrio tangencia externamente o limbo solar. Na prática, esse instante não pode ser observado em luz branca, devido à inexistência de superposição dos discos. Na prática, alguns segundos decorrem até que se forme uma sutil deformação ou reentrância no limbo solar com dimensões suficientes para ser percebida por um observador atento, munido de instrumental adequado e sob condições observacionais favoráveis.

Recomenda-se que o ponto onde deverá ocorrer o contato I seja identificado previamente. Ele terá ângulo de posição de 83 graus, medidos ao longo do limbo no sentido anti-horário (para Leste) a partir do Norte do disco solar. Registros fotográficos ou filmagem em luz branca, com aumentos telescópios entre 100 e 400x, com apresentação simultânea da hora (com erro inferior a ±0,3s) devem ser realizados, principalmente junto aos instantes dos contatos. Tais registros serão usados para extrapolação do instante do primeiro contato.

O uso de filtros de hidrogênio-alfa poderá permitir a identificação da silhueta de Mercúrio em frente à cromosfera ou às proeminências mesmo antes do primeiro contato.

Nos instantes finais da entrada (precedentes ao contato II) e nos instantes iniciais da saída (seguintes ao contato III), observa-se que o disco de Mercúrio parece ligar-se ao limbo solar por um apêndice escuro. O contato (II/III) corresponderá ao instante em que essa interessante ligação, denominada gota negra, (desaparecer/aparecer) e o planeta (ficar/deixar de ficar) totalmente circundado pela luz do Sol, respectivamente. O fim do trânsito ocorrerá em ângulo de posição de 225°, ou seja, coincidente com o ponto Sudoeste do disco.  

O Fenômeno da Gota Negra e Incertezas nas Cronometragens

Mais proeminente quando observada em condições atmosféricas e instrumentais precárias, a gota negra é produzida pela perda de resolução da imagem dos limbos solar e planetário, os quais se tornam difusos e “manchados”, interpenetrando-se e formando uma região escura e indefinida entre eles junto aos contatos internos. Esse fenômeno se deve aos efeitos combinados da turbulência atmosférica (~3,5”) e de difração instrumental (~1”), além de outras possíveis limitações inerentes ao sistema óptico utilizado (~1”). Além dessas causas, análises de observações de satélites também comprovaram que o fenômeno da gota negra também resulta da difração da luz solar nas bordas solar e planetária, cujos efeitos são potencializados pelo escurecimento brusco da fotosfera junto ao limbo solar (~1”). Procure registrar com precisão de ±1s quando a gota negra aparece e quando ela desaparece.

Em quadratura, essas fontes de erro poderão gerar uma região indefinida com cerca de 4 segundos de arco de extensão na imagem de um instrumento amador mediano sob condições satisfatórias de estabilidade e transparência atmosféricas nas baixas alturas dos contatos. Esse valor poderá então se aproximar de 1/3 do diâmetro aparente do disco de Mercúrio.

Admitindo-se um erro médio igual a 1/3 do comprimento dessa região indefinida, ou seja, correspondente a 1/9 da dimensão do planeta ou do tempo de passagem em frente ao limbo, estimamos um erro estatístico médio aproximado de 3 min./9 (0,3±0,1) minuto (1 sigma) para os tempos dos contatos a serem registrados.

Registro (filmagem e fotografia) da evolução do trânsito

A monitoração do evento com câmeras fotográficas ou filmadoras acopladas ao telescópio, deve ser priorizada junto aos contatos, buscando também registrar o fenômeno da gota negra. Por favor, envie suas observações, incluindo as características do seu equipamento e condições atmosféricas para o e-mail: lunissolar@gmail.com .

Circunstâncias para Algumas Cidades Brasileiras

A Tabela 1 abaixo lista as circunstâncias do trânsito de Mercúrio em 09 de Maio de 2016 calculadas para algumas capitais brasileiras. Os cálculos são do autor e baseiam-se em algoritmos e elementos besselianos divulgados por Jean Meeus (Transits, Willmann-Bell, Inc., 1989), tendo sido utilizada a previsão mais recente para ∆T (=68,34s).

Dados para mais cidades capitais podem ser encontrados no Almanaque Astronômico 2016 do CEAMIG ou calculados pelo Programa Helios_Transits.zip desenvolvido pelo autor.

Tabela 1: Circunstâncias para Cidades Brasileiras

Instruções para Uso do Programa de Trânsitos

O programa de trânsitos poderá ser executado em sistemas que suportem o MS-DOS, como versões Windows de 32 bits. Sistemas de 64 bits, Mac ou Android exigirão um programa emulador para criar o ambiente MS-DOS necessário para sua execução. Ao acessar este link, um pequeno arquivo de apenas 24k, correspondente a um diretório compactado, será baixado. Ao descompactá-lo na raiz do disco C: ou D: de seu computador, aparecerão 1 arquivo executável (HELIOS.exe) e 14 arquivos de dados (.txt), os quais incluem Elementos Besselianos calculados por Jean Meeus, a diferença Delta T(TT-UTC)(observada em eventos passados ou extrapolada para eventos futuros), a hora do trânsito máximo e o número do planeta (Vênus=2), necessários para cálculo de 10 eclipses de Mercúrio e 4 eclipses de Vênus. Todos os 15 arquivos deverão ser descompactados pro mesmo diretório. Bastará então clicar sobre o nome do programa (HELIOS) para executá-lo. Caso isso não ocorra e se o seu sistema for de 32 bits, verifique se todos os 15 arquivos estão situados num mesmo diretório de primeiro nível do disco, exemplo: C:\Transitos\. Pois o HELIOS não rodará caso esteja localizado em diretórios mais profundos, como C:\Astro\Transitos\, a menos que um emulador do MS-DOS (como o DOSBox, por exemplo) seja usado para redirecionar o sistema para o programa. Os nomes dos arquivos de entrada são mnemônicos. Dessa forma, para o próximo trânsito, digite m16 na entrada, sendo m para Mercúrio e 16 para 2016. Outros exemplos são: m99 (trânsito de Mercúrio em 1999), v4 (trânsito de Vênus em 2004) etc.

História das Observações de Trânsitos

Saiba mais sobre a interessante história das observações dos trânsitos de Mercúrio e como elas foram usadas para determinação da Unidade Astronômica, lendo este excelente artigo do Prof. Oscar T. Matsuura.

Recomendação Importante

Olhar para o Sol sem proteção adequada pode causar cegueira permanente, por isso, não tente observar este evento sem o uso de um filtro apropriado para a observação do Sol. Em caso de dúvida quanto à segurança de seu equipamento, utilize a projeção da imagem do Sol, que é um recurso mais seguro e que dispensa o uso de filtros para observação solar. Usando a ocular de menor aumento (mais luminosa), projete a imagem do Sol diretamente sobre um anteparo plano que proporcione uma imagem com contraste apropriado. Mesmo nesse caso, contudo, atente para o fato de que o posicionamento correto do telescópio deverá ser realizado com base na sombra que o instrumento projeta e nunca olhando-se através da ocular desprotegida.

Circunstâncias Globais do Trânsito de Mercúrio pelo disco Solar em 09 de maio 2016!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

I – Introdução

Desde o invento do telescópio em 1609 as observações dos trânsitos dos planetas inferiores Mercúrio e Vênus pelo disco solar vem sendo acompanhadas e se efetuam a intervalos sucessivos de 8, 105,5, 8 e 121,5 anos num ciclo de 243 anos (MOURÃO, 1987), se constituindo em eventos de rara beleza oferecendo novamente a oportunidade para que possamos registrar de alguma forma, ou mesmo disseminar entre aqueles partícipes da ciência astronômica esses e outros eventos que a dinâmica celeste ao longo de sua história vem registrando.

II – Registros no Brasil

Desde a participação do astrônomo brasileiro Francisco Antônio de Almeida Júnior na missão francesa para o registro do trânsito de Vênus pelo disco solar ocorrida em 09 de dezembro de 1874, escrevendo posteriormente “A paralaxe do Sol e as passagens de Vênus (Rio de Janeiro, 1878)” (MOURÃO, 2004) a participação efetiva do Brasil na oportunidade de registro em um novo trânsito de Vênus em 06 de dezembro de 1882, num esforço internacional para se conhecer a distância do Sol que o registro das passagens de Vênus e Mercúrio vem intensificando-se.

No Brasil, além dos trabalhos realizados pelo astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão (1935-2014), registros observacionais do trânsito de Mercúrio em 09 de maio de 1970, foram levados a termo também pelos observadores: Ernesto Reisenhofer (1907-1978) e Stellita Starling Reisenhofer no Observatório Kappa Crucis (figura 1) em Belo Horizonte utilizando um refrator de 150 mm f/d = 15 obtendo uma sequência de 5 fotografias realizadas com anteparo conforme demostra o registro realizado às 12:00:44 (TU), figura 2 abaixo.

Esta passagem ainda foi observada por Nelson Alberto Soares Travnik no Observatório Flammarion em Mathias Barbosa – MG (figura 3), o trânsito foi registrado às 10:51:00 (UT) por um Refrator Zeiss de 4” F/15 conforme apresentado na figura 4.

III - Circunstâncias Globais em 09 de maio de 2016

A representação gráfica da figura 5, apresenta os instantes de contato externo quando o disco de Mercúrio toca externamente o bordo do Sol no início do trânsito e ao seu final quando o sol deixa o disco solar.

As condições gerais de visibilidade para diversas localidades para esse próximo trânsito encontram-se descritas na sequencia de tabelas abaixo subdivididas por regiões continentais.

IV - África 

V - América Central



VI - América do Norte



VII - América do Sul

VIII – Ásia
 

IX – Europa
 

X - Oceania

XI - Importância

Atualmente a distância da Terra ao Sol (u.a = Unidade Astronômica) já está determinada conforme  a Resolução da IAU 2012 B2, acolhendo proposta do grupo de trabalho “Numerical Standards for Fundamental Astronomy”, redefiniu-se a unidade astronômica de comprimento correspondendo à distância media da Terra ao Sol equivalendo assim a 149.597.870.700 metros.

A importância das observações hoje realizadas reverbera, novamente aos astrônomos valor histórico que elas representam, entretanto elas serão de grande validade para que possamos validar a metodologia de cálculo empregada no software desenvolvido pelo físico brasileiro Hélio de Carvalho Vital, cujo donwload gratuito poderá ser realizado acessando: http://www.geocities.ws/lunissolar2003/Helios_Transits.zip. Então contamos com a sua colaboração enviando-lhe os resultados observacionais.

Boas observações.

XII - Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- _________, Contribuições do Brasil para se conhecer a distância do Sol. Scientific American Brasil, Vol. 2 nº 23, p. 48/55. Abril. 2004 . Ed Duetto. SP. Brasil.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2016. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2015. 115p. Disponível em: <http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2016.pdf> Acesso em 17 Nov. 2015.

- AMORIM, Alexandre. Anuário Astronômico Catarinense 2016. Florianópolis: Ed: do Autor, 2015. 182p.

- HERALD, Dave. Occult4 v4.1.0.27 (24 March. 2014) Uptade v4.2.0 available in: <http://www.lunar-occultations.com/occult4/occultupdate.zip> Acess in 28 Abr. 2016.

- VITAL, Hélio Carvalho. Programa para Cálculo de Circunstâncias Locais de Trânsitos Planetários - E-Mail [Personal Communication]. Message received by arcampos_0911@yahoo.com.br 07 Abr. 2016 (9:14) AM.

- TOLENTINO, Ricardo Jose Vaz. Re: Monitoramento da Mancha Solar AR 2533. - E-Mail [Personal Communication]. Message received by arcampos_0911@yahoo.com.br 27 Abr. 2016 (13:45)

- TRAVNIK, Nelson Alberto Soares. Arquivos - E-Mail [Personal Communication]. Message received by arcampos_0911@yahoo.com.br 15 Abr 2016 7:15 (AM).

- IAG – Observatório Abraahão de Morais. Última atualização em 27 de Março de 2013 (14:05). (Website). Disponível em: <http://www.observatorio.iag.usp.br/index.php/mencurio/curiodefin.html> - Acesso em 18 Ago. 2015.

Espetáculo no Céu - Mercúrio ficará alinhado entre a Terra e o Sol.

Nelson Alberto Soares Travnik (*)
nelson-travnik@hotmail.com
Observatório Astronômico de Piracicaba Elias Salum

O fenômeno denominado trânsito será visto integralmente no Brasil na segunda-feira dia 9 de maio. Não será visível a olho nu dado o pequeno tamanho do planeta que aparece sobre o Sol com um diâmetro de apenas 1/150 do diâmetro solar. O próximo trânsito somente ocorrerá em 11/11/2019. O primeiro a predizer o trânsito de Mercúrio foi o astrônomo alemão Johannes Kepler que o anunciou para o dia 7/11/1631 e foi observado por Pierre Gassendi. Antes disso não há nenhuma referência a observação de Mercúrio pelo disco solar, pois ele só é visível através do telescópio que somente foi introduzido por Galileu em 1610. No passado vários astrônomos entre os quais Newcomb e Le Verrier, descobriram anomalias no periélio de Mercúrio que fugiam a lei da gravitação de I. Newton. Para explicar isso, chegou-se até a possibilidade da existência de um planeta entre o Sol e Mercúrio que até recebeu um nome: Vulcano. O chamado avanço do periélio de Mercúrio só foi solucionado pelo alemão A. Einstein em sua Teoria da Relatividade. 

Há de 13 a 14 trânsitos em um século com intervalos irregulares que podem ser de três, sete, dez e treze anos. Se Mercúrio e a Terra orbitassem o Sol num mesmo plano, o planeta passaria sobre o disco solar a cada conjunção inferior ou seja: três vezes por ano em média. Isso não acontece porque a orbita de Mercúrio é levemente inclinada de 7° 00” em relação a eclíptica. A condição necessária para que ocorra um trânsito é similar a necessária para um eclipse solar ou lunar isto é, a Terra deve estar próxima a linha dos nodos da órbita do planeta. Como os nodos do planeta estão nas latitudes 227° e 47° e são cruzados pela Terra próximo aos dias 7 de maio e 9 de novembro, os trânsitos somente podem ocorrer próximos a esses dias. A diferença principal é que nos trânsitos de maio, Mercúrio está mais próximo da Terra e seu semi-diâmetro é um pouco maior que os trânsitos de novembro. Devido a excentricidade da órbita do planeta, a mais forte do sistema solar, 0,205,  os trânsitos de novembro são duas vezes mais numerosos que os de maio. A velocidade de Mercúrio no periélio é de 59 km/s, bem mais rápida do que no afélio, 39 km/s. No trânsito deste ano, Mercúrio estará a uma distância de 83.511.000 km da Terra e terá um diâmetro aparente de 12.1” .

OBSERVAÇÃO

O trânsito deste ano terá duração de 7,5 horas, maior, portanto, que os de 2003 e 2006. Além da observação visual, a fotografia e a filmagem é a melhor forma de cronometrar as fases do fenômeno. O emprego também de imagens em H-Alpha será muito interessante. Os instantes principais para o trânsito do próximo dia 9 são os seguintes:

A precisão em segundos dos contatos depende naturalmente da posição do observador no País. Os primeiro e quarto contatos são muito difíceis de se determinar por observação visual. Já nos segundo e quarto contatos, embora haja bom contraste entre o planeta e o fundo (fotosfera), a tomada dos tempos se torna imprecisa devido ao efeito “Black Drop”. É um efeito fisiológico que persiste sempre após a entrada ou antes da saída do planeta do disco solar. Nos trânsitos é possível ainda calcular o diâmetro do planeta a partir da medição exata do tempo que transcorre entre a entrada e a saída do disco solar.

*Observatório Astronômico de Piracicaba Elias Salum e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França, SAF.

REFERÊNCIAS:
Anuário Astronômico Catarinense, 2016, A. Amorim, Membro da SAF,REA,AAVSO,NEOA
Astronomie Populaire, Camille Flammarion
Observatório Astronômico Flammarion/MG, trânsitos de 1960,1970 e 1973, N. Travnik
Observatório Astronômico Anwar Damha/SP, trânsito de 2003, N. Travnik 
L’ Astronomie, avril 2016, Société Astronomique de France /SAF

A ocultação de Zaniah (eta Virginis) pela Lua em 17 de maio 2016!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Em 17 de maio próximo, a Lua +81% iluminada e uma elongação solar de 129°, ocultará a estrela Zaniah (eta Virginis) de magnitude 3.9 (Figura 1). Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios; esse evento poderá ser observado numa grande extensão da superfície terrestre.

Observadores localizados nas ilhas do estado norteamericano do Hawaii (no norte do Oceano Pacífico) e na América do Sul (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai), poderão acompanhar esse evento, conforme e apresentado nas tabelas 1 e 2 respectivamente.

Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e reaparecimento acima mencionadas, abaixo apresentamos o mapa global (figura 2) com a faixa de visibilidade do fenômeno que abrange demais ilhas localizadas no oceano Pacífico. 

Zaniah

Estrela azul de magnitude 3.9 e classe espectral A2IV, situada à distância de 38 anos-luz, está situada próximo ao ponto de interseção do equador com a eclíptica, e que marca a posição do Sol, no início do outono no hemisfério norte e o começo da primavera no hemisfério sul. Seu nome designa também a região dos cães vigias; (MOURÃO, 1987). O alto interesse nas observações das ocultações dessa estrela prende-se ao fato dessa estrela ser um conjunto binário conforme podemos vislumbrar através da figura 3.

Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
(ocultações de estrelas por asteroides).

Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2015. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2014. Disponível em: <http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2015.pdf> Acesso em 24 dez. 2014.

- HERALD, David. Occult v 4.0.8.18, (IOTA). Disponível em <http://www.lunar-occultations.com/iota/occult4.htm>. Acesso em: 09 set. 2014. Windows 7/ Professional.

- WDS Washington Double Star Catalog: Epoch 2014.01. Disponível em: <http://www.handprint.com/ASTRO/>. Acesso em: 10 set. 2014.